Photo by OMAR HAJ KADOUR / AFP
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Força aérea russa bombardeia último bastião dos rebeldes sírios

Aviões de Moscou, que apoia Bashar Assad, atingiram ao menos uma dezena de alvos em Jisr al-Shughour, na Província de Idlib; após sete anos de guerra, essa região é o último ponto de resistência ao governo sírio

O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2018 | 11h33

DAMASCO - A aviação russa que atua na Síria bombardeou nesta terça-feira, 4, o último bastião rebelde no país, de acordo com informações de uma ONG que monitora o conflito. 

A ofensiva encerra um período de várias semanas em que a guerra no país teve sua intensidade diminuída e sugere que o regime de Bashar Assad, com apoio de Moscou, pode preparar uma ampla ofensiva na Província de Idlib.

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), com sede em Londres, mais de uma dúzia de bombas foram lançadas no entorno da cidade de Jisr al-Shughour, em Idlib. Em imagens da região, é possível ver uma grande coluna de poeira e fumaça em uma extremidade de um bairro residencial.

Depois de sete anos de guerra, a Província de Idlib é hoje o último ponto de resistência dos rebeldes.  Como a fronteira com a Turquia, no norte do país, está fechada, a região também se tornou uma espécie de prisão para cerca de 2 milhões de civis deslocados internamente, incluindo ativistas, jornalistas e trabalhadores humanitários que temem ser presos se retomarem suas vidas sob o governo de Assad.

Em uma mensagem no Twitter nesta terça, o presidente dos EUA, Donald Trump, alertou a Síria e seus aliados, Rússia e Irã, de que um "ataque imprudente" à província seria um "grave erro humanitário". Depois do relato dos bombardeios, o Kremlin afirmou que a província era um "ninho de terroristas".

"Falar apenas em tom de alerta, sem levar em conta o potencial negativo e muito perigoso para toda a situação na Síria, provavelmente não é uma abordagem completa e abrangente", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, aparentemente em referência ao comentário de Trump.

Em Jisr al-Shughour, equipes de resgate e civis disseram que muitas pessoas tentaram se proteger em abrigos subterrâneos enquanto que algumas famílias dirigiam, de carro, para a fronteira. "A cada cinco minutos há novos ataques", disse um socorrista, Dured Bash. / THE WASHINGTON POST

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