Força síria é treinada e tem arsenal químico

Diferente das milícias do Afeganistão e do exército do Iraque, as tropas sírias são organizadas e utilizam equipamentos avançados

ROBERTO GODOY , O Estado de S.Paulo

11 de março de 2012 | 03h06

A Siria não é o Afeganistão de 2001, nem o Iraque de 2003 - as Forças Armadas são profissionalizadas na proporção de 30%, bem treinadas e equipadas com material russo e chinês. O Exército tem 4 mil tanques pesados, cerca de 5 mil blindados, 3,2 mil canhões, e muitos mísseis de médio alcance. A frota da aviação é de 350 a 600 aeronaves de combate - MiG 29 principalmente.

Mais grave: o regime de Bashar Assad mantém um Comando Aeroestratégico criado por Hafez Hassad, pai do atual presidente, que teria, prontas para uso, de 50 a 100 ogivas de 700 quilos, mais centenas de bombas aerotransportadas municiadas com gases letais. O principal veículo lançador é o Hwasong-6, uma versão modernizada pela Coreia do Norte do míssil Scud, produzido na União Soviética. A atual configuração tem sistema digital de navegação e alcance expandido, na faixa de 600 km. A unidade militar é definida como sendo "elemento de dissuasão", pelo governo da Síria e foi organizada pelo general dissidente russo Anatoli V. Kuntsevich, um ex-assessor de Vladimir Putin para assuntos de armas químicas e biológicas. Ele responde desde 2002 a um processo por contrabando de 600 quilos do agente multiplicador do gás VX2, que atua sobre o sistema nervoso central. Kuntsevich é, ainda, o responsável pela instalação de um laboratório, na periferia da cidade histórica de Alepo, próximo da fronteira com a Turquia, para a produção de Iperita, o gás de mostarda, que produz úlceras na mucosa respiratória, provocando a morte por asfixia.

Em setembro de 2007, uma explosão acidental na fábrica matou 15 oficiais sírios e deixou feridos 50 técnicos, entre os quais iranianos e asilados iraquianos. O episódio, associado a um bombardeio da aviação israelense contra instalações de pesquisas nucleares, gerou um duro comentário de Yuval Steinitz, parlamentar da ala radical de Israel: "Se eles usarem essas armas contra nós, será o fim, em quaisquer termos, dessa ditadura malévola, brutal e cruel".

Não é só. As forças convencionais sírias somam 220 mil combatentes, mais 280 mil reservistas de convocação rápida. Cerca de 100 mil , segundo os analistas da agência de inteligência William Webster, já teriam sido mobilizados. Bashar Assad tem investido na tecnologia. Comprou um lote de dimensões não reveladas de baterias do missil antiaéreo russo S-300. Com capacidade para rastrear até 100 alvos simultâneamente e disparar contra 12 deles dando prioridade ao grau de ameaça, o conjunto poderia tornar inócua uma eventual zona de exclusão aérea, semelhante a que foi adotada em 2011 na Líbia.

Engenheiros russos revitalizaram a rede de radares integrados de defesa aérea, vigilância e alerta avançado. O olho eletrônico dessas estações cobre os territórios da Jordânia e de Israel, o Golfo de Ácaba, todo o norte da Arábia Saudita e o Mar Mediterrâneo até o eixo da Grécia e de Chipre.

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