Forças afegãs sofrem com redução da presença americana

Já faz alguns meses que as forças afegãs tomaram a frente na luta contra o Taleban em mais de três quartos do território do país. Em razão disso, soldados tem sido mortos e feridos em ritmo recorde. Após a cerimônia de ontem, as normas em todo o Afeganistão devem ser as seguintes: ainda que haja unidades dos EUA por perto, as forças afegãs não contarão com apoio aéreo, helicópteros de socorro médico ou unidades de combate americanas parceiras. Se os afegãos estiverem com dificuldades, a Otan só virá em seu auxílio em circunstâncias extremas.

CENÁRIO: Rod Nordland / NYT, , É JORNALISTA, CENÁRIO: Rod Nordland / NYT, , É JORNALISTA, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2013 | 02h11

As operações começarão a ter um tom de aprendizagem à força, a que os conselheiros militares americanos submetem os afegãos com o objetivo de verificar se o país se tornará militarmente autossuficiente até a data da retirada total, em 2014.

É possível que nenhum lugar ateste melhor a dureza desse aprendizado do que o quarto 648 do Hospital Militar do Exército, em Cabul. Seus ocupantes são dois soldados feridos numa pequena batalha contra o Taleban, travada no sul do país, nos dias 22 e 23.

A base da unidade de ambos, o 205.º Corpo do Exército, ficava no distrito de Panjwai, em Kandahar. Em maio, os dois foram enviados para um vilarejo que em março foi palco de uma revolta popular contra o Taleban - saudada por autoridades americanas e afegãs como um ponto de inflexão numa área havia muito dominada pelos militantes. Dois meses depois, porém, os insurgentes estavam de volta.

Segundo o relato dos dois feridos, eles encontraram a área repleta de minas e armadilhas explosivas. Quando começaram a tropeçar nas minas, atiradores do Taleban atacaram, usando túneis escavados entre paredes de casas vizinhas para disparar contra os soldados e depois se esconder.

"Não apareceu ninguém para nos ajudar.Ninguém fez nada", diz o tenente Masiullah Hamdard, que perdeu as pernas e o braço esquerdo no conflito - e cujas feridas ainda o fazem se contorcer de dor. Hamdard diz que havia dois helicópteros americanos e um caça acompanhando a confronto do alto. "Pedimos várias vezes que nos dessem cobertura, mas eles não mexeram uma palha."

Oficialmente, desde ontem, esse será o comportamento americano em todo o Afeganistão. Os EUA decidiram que os afegãos não terão apoio aéreo, a menos que uma exceção seja aberta por um general - e o que se tem observado em campo é que essas exceções tendem a ser raras. / TRADUÇÃO DE ALEXANDRE HUBNER

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