EFE/Alexander Delgado
EFE/Alexander Delgado

Forças americanas bombardeiam rebeldes houthis no Iêmen

Iemenitas foram acusados de disparar mísseis contra navios de guerra americanos no Mar Vermelho, ações foram negadas pelos insurgentes

O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2016 | 15h31

WASHINGTON - As forças dos EUA bombardearam pela primeira vez as forças rebeldes xiitas houthis do Iêmen, acusadas de disparar mísseis contra navios de guerra americanos no Mar Vermelho, ataques que foram negados pelos insurgentes. O destróier USS Nitze lançou na quarta-feira três mísseis de cruzeiro contra estações de radar na costa iemita. "Os locais foram destruídos", afirmou Peter Cook, porta-voz do Pentágono.

Os rebeldes xiitas houthis negaram nesta quinta-feira, 13, as acusações. "As afirmações americanas não têm nenhum fundamento", afirmou a agência de notícias Saba, que citou uma fonte militar do campo aliado aos houthis.

"O Exército (aliado aos rebeldes) e os Comitês Populares (milícias) não têm nada a ver com esta ação", disse a fonte. "As alegações tentam criar falsas justificativas para intensificar os ataques e acobertar os crimes cometidos pela agressão da coalizão liderada pela Arábia Saudita contra o povo do Iêmen", completou a fonte militar.

Esta é a primeira vez que os EUA determinam uma ação militar contra os houthis, que desde 2014 controlam a capital Sanaa e outras regiões do país, o que obrigou o governo a partir para o exílio. No Iêmen, os militares americanos se limitavam a atacar com drones as áreas da Al-Qaeda no sul do país.

Apoiados pelo Irã, os houthis, aliados às forças do ex-presidente Ali Abdallah Saleh, estão em guerra com as forças leais ao governo, que desde março de 2015 contam com o apoio militar de uma coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita.

Até agora, as forças americanas haviam se limitado a fornecer ajuda logística à coalizão, como o reabastecimento em voo dos bombardeiros, e informações de inteligência. Os lançamentos dos mísseis, que não atingiram os alvos e caíram na água, contra navios da Marinha americana no domingo e quarta-feira provocaram a intervenção direta dos EUA.

No dia 1.º de outubro, um ataque similar contra um navio dos Emirados Árabes no estreito estratégico de Bab al-Mandeb, no Mar Vermelho, deixou vários feridos e provocou muitos danos.

"Os ataques limitados, de legítima defesa, foram realizados para proteger nossos funcionários, nossos navios e nossa liberdade de navegação nesta importante via marítima", afirmou o porta-voz do Pentágono.

"Tinham como alvos os radares envolvidos nos recentes disparos de mísseis que ameaçaram o USS Mason e outros navios que operavam em águas internacionais no Mar Vermelho e no estreito de Bab Al-Mandeb", completou Cook.

Na quarta-feira, um míssil lançado a partir do território controlado pelos rebeldes caiu no mar antes de atingir o navio USS Mason. No domingo havia acontecido algo similar com o próprio USS Mason e USS Ponce.

Os disparos são uma reação ao bombardeio da Arábia Saudita contra um funeral que deixou mais de 140 mortos e 500 feridos no sábado em Sanaa, disse o analista francês de Relações Internacionais François Heisbourg. "Reagiram para tentar mostrar aos americanos que deixar as mãos livres de seus aliados sauditas implica pagar um preço." Os americanos "reagiram de forma limitada e devem parar por aí", disse.

A intervenção americana contra os houthis aconteceu no momento em que Washington examina o apoio à coalizão árabe após o massacre no funeral. A Casa Branca havia advertido que a "cooperação de segurança dos Estados Unidos com a Arábia Saudita não era um cheque em branco". / AFP

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