Forças anti-Kadafi dizem que negociações de paz 'falharam'

CNT se prepara para invadir a cidade de Bani Walid e confirma a morte de um dos filhos de Khadafi, Khamis.

BBC Brasil, BBC

04 Setembro 2011 | 16h36

Combatentes leais ao novo governo interino da Líbia, que cercaram a cidade de Bani Walid neste domingo, dizem que as negociações de paz com as forças leais ao coronel Muamar Khadafi falharam.

Bani Walid, que fica 150 quilômetros à sudeste de Trípoli, é uma das quatro cidades do país que ainda sob controle das forças leais a Khadafi.

Os combatentes chegaram à cidade por três diferentes pontos e deram um ultimato às forças pró-Khadafi para se renderem ou enfrentarem um ataque.

Mas um dos principais negociadores das forças do Conselho Nacional de Transição (CNT), Abdullah Kenchil, disse à BBC que as negociações falharam e que não voltariam a acontecer.

"Estou deixando que o comando militar resolva o problema", afirmou.

Membros da família

O governo interino também confirmou que o filho de Khadafi, Khamis, foi morto em uma batalha perto de Trípoli e enterrado perto de Bani Walid.

Muhammad, o filho do ex-chefe da inteligência Abdullah Senussi, também teria sido morto.

A morte de Khamis Khadafi já havia sido anunciada em outras dois ocasiões durante os conflitos com o governo.

O presidente do CNT, Mustafa Abdel Jalil, afirmou que as cidades estão recebendo ajuda humanitária, mas que têm uma semana para se render "para evitar mais derramamento de sangue".

Relatos dizem que as negociações continuarão dentro da cidade, entre líderes tribais, e que um ataque militar não é necessariamente iminente.

Segundo alguns relatos não confirmados, Saif al-Islam e Mutassim Khadafi, dois dos filhos do ex-líder líbio mais ativos politicamente, teriam se entrincheirado nem Bani Walid, cercados por apoiadores armados, e estariam prontos a resistir até o final, segundo o correspondente da BBC em Trípoli Kevin Connolly.

Negociações

Horas antes, Kenchil disse ao correspondente da BBC Ian Pannel que dois coronéis e outros combatentes em Bani Walid permanecem sendo uma ameaça.

Ele disse que os negociadores tentaram persuadi-los a entregarem as armas por causa do perigo para os civis locais.

"Não queremos que nada aconteça com ninguém em Bani Walid. Queremos entrar pacificamente e que as pessoas estejam a salvo, porque senão elas poderiam ser usadas como escudos humanos ou enfrentarem vingança, caso não os apoiem (as forças leais a Khadafi)."

Kenchil disse ainda que os oficiais militares pró-Khadafi receberam garantias de que teriam um tratamento justo e seriam julgados por supostos abusos durante o levante se entregassem as armas.

Para alguns analistas, a tomada dos últimos bastiões de resistência pró-Khadafi é necessária para que o CNT consolide o controle sobre todo o país para poder formar um governo significativo e eliminar a ameaça do antigo regime.

O paradeiro de Khadafi permanece desconhecido. Seu porta-voz, Moussa Ibrahim, afirmou à agência de notícias Reuters em uma entrevista telefônica que o coronel estaria em algum lugar na Líbia, cercado em segurança por apoiadores leais.

Neste domingo, o CNT afirmou que sabia do paradeiro de Khadafi, mas não confirmou nenhuma localização específica. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.