Forças anti-Taleban não conseguem ganhar terreno

Aviões de combate dos EUA bombardearam duramente, nesta segunda-feira, linhas de frente do Taleban, enquanto tropas da Aliança do Norte atacavam de três direções Mazar-i-Sharif, mas líderes da oposição admitiram que não ganharam terreno na luta pela estratégica cidade nortista. Num poeirento posto avançado 60 quilômetros ao norte de Cabul, líderes oposicionistas, entre eles o deposto presidente Burhanuddin Rabbani, passaram em revista suas tropas e garantiram que em breve vão marchar sobre a capital. Uma ofensiva da oposição lançada no domingo fracassou horas depois de seu início. "Vocês estão defendendo bravamente seu país contra o diabólico triângulo do Paquistão, Taleban e Osama bin Laden", afirmou o comandante Bismillah Khan aos combatentes. O Paquistão tem apoiado a campanha aérea liderada pelos Estados Unidos, mas a aliança se ressente da ajuda paquistanesa na tomada do poder pelo Taleban. Bombardeiros B-52 americanos também atacaram, nesta segunda-feira, três locais separados cerca de 50 quilômetros a nordeste de Taloqan, nas proximidades da fronteira com o Tadjiquistão, disse numa entrevista por telefone Mohammed Abil, um porta-voz da Aliança do Norte. Taloqan serviu como capital da oposição até ser capturada por tropas talebans em setembro de 2000, num grande revés para a aliança. A oposição tenta agora retomar a cidade, mas não tem sido capaz de conseguir grandes avanços, apesar da intensa campanha de bombardeios dos EUA, agora em sua quinta semana. Dois B-52 lançaram cerca de 20 bombas na manhã desta segunda sobre a base taleban de Estarghech - parte das defesas da milícia integralista ao norte de Cabul. Grandes nuvens de fumaça negra eram vistas após o ataque. Duas fortes explosões também foram ouvidas nos arredores de Cabul por volta das 5 horas da manhã. Num sinal do aumento da atividade dos EUA na região, uma equipe de cinco militares americanos chegou a Golbahar, cerca de 65 quilômetros ao norte de Cabul e perto do front, "para ajudar a coordenar esforços na guerra", revelou nesta segunda-feira o ministro do Interior da oposição, Yunis Qanoni. Os homens chegaram neste domingo vindos do Tadjiquistão num pequeno avião bimotor, a fim de avaliar a precária pista de pouso no local e ver se ela pode receber aviões de suprimentos. Em caso positivo, isso seria uma grande ajuda para as forças da oposição, cujas rotas de suprimento pelas montanhas a partir do Tadjiquistão já estão cobertas pela neve. O general da Força Aérea Richard Myers, comandante do Estado-Maior Conjunto, disse neste domingo que mais forças especiais dos EUA haviam entrado no Afeganistão para ajudar a oposição. Os americanos também promoveram ataques contra o bastião sulista taleban de Kandahar depois de um hiato de quatro dias, informou a Imprensa Islâmica Afegã. Bombas americanas teriam matado 10 pessoas e ferido outras 15 numa vila nos arredores de Mazar-i-Sharif, segundo a agência de notícias Bakhtar, controlada pelo Taleban. Cinco pessoas morreram e sete ficaram feridas em outro ataque nas proximidades de Kandahar, acrescentou. As notícias não puderam ser confirmadas por fontes independentes. O Pentágono nega que os bombardeios tenham provocado um grande número de vítimas civis até agora, como garante o Taleban. O presidente George W. Bush ordenou o início dos ataques aéreos em 7 de outubro, depois que o Taleban se recusou a entregar Osama bin Laden, o principal suspeito dos ataques terroristas de 11 de setembro contra o World Trade Center e o Pentágono. Enquanto isso, o escritório do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, anunciou, nesta segunda, que o presidente paquistanês, general Pervez Musharraf - um aliado-chave na campanha liderada pelos EUA -, se encontrará com o premier em Londres na próxima quinta-feira. Musharraf se reúne na próxima quarta-feira com o presidente francês, Jacques Chirac, em Paris, e, após encontrar-se com Blair, segue para os EUA, onde estará com o presidente Bush, na sexta-feira, nas Nações Unidas. Blair segue na quarta-feira de Concorde para Washington, para discussões com Bush. Blair tem desempenhado um destacado papel diplomático para manter o apoio internacional à campanha antiterrorista. Uma ofensiva lançada neste domingo em três frentes pelas forças anti-Taleban nos arredores de Mazar-i-Sharif desmoronou poucas horas depois de seu início, levantando dúvidas sobre a habilidade da oposição de explorar os ataques aéreos dos EUA sem a ajuda de tropas terrestres norte-americanas. O porta-voz da oposição, Nadeem Ashraf, admitiu, nesta segunda, que a Aliança do Norte não havia ganho terreno e suas forças estavam desmoronando em duas das três frentes. Inclusive, a oposição parecia estar perdendo o terreno que havia capturado recentemente. Mazar-i-Sharif foi capturada pelo Taleban em 1998. A oposição precisa retomar a cidade antes da chegada do inverno para reabrir uma grande rota de suprimentos a partir do Uzbequistão e Tadjiquistão. Enquanto isso, o secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, que concluiu, nesta segunda, um giro pela Ásia Central e do Sul, disse que as operações militares no Afeganistão estão se tornando mais efetivas e não levarão anos para serem completadas. Falando na Índia, Rumsfeld afirmou que é impossível defender todo possível alvo de um ataque terrorista. Assim, "a única forma de nos defender é combatê-los", afirmou. Com a chegada de mais equipes militares norte-americanas ao solo do Afeganistão, para orientar os aviões de combate, "a efetividade dos bombardeios melhora a cada dia", disse Rumsfeld. Em Islamabad, o embaixador taleban, Abdul Salam Zaeef, disse que os bombardeios norte-americanos forçaram a fuga de milhares de afegãos de suas casas. Ele afirmou que a situação foi agravada pelo fato de o Paquistão não permitir a entrada de refugiados em seu território. Ele pediu às Nações Unidas para "ajudarem o povo do Afeganistão dentro do território afegão". A ONU tem relutado em operar dentro do Afeganistão por preocupações com a segurança e está tentando persuadir o Paquistão a abrir suas fronteiras para mais refugiados a fim de que eles possam ser atendidos em solo paquistanês. Funcionários da ONU também reclamam que combatentes talebans têm se apropriado de veículos e ajuda alimentar da organização. Leia o especial

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