Forças anti-Taleban se retiram de acordo com ex-rei

Forças anti-Taleban estão se retirando de uma tentativa de acordo com o ex-rei do Afeganistão para a formação de um conselho que decidiria como governar o país depois da derrubada da milícia, disse hoje uma autoridade. O primeiro-secretário da embaixada afegã do governo no exílio em Dushanbe, Mohajeddin Mehdi, disse que o governo ainda apóia a formação de uma "Loya Jirga", um tradicional conselho para a escolha de um líder, mas que o conselho não deve ser formado por vários anos. A embaixada representa o governo oposicionista do presidente Burhanuddin Rabbani. Pela proposta apoiada por Mohammad Zaher Shah, que foi deposto como rei em 1973, um conselho deve se reunir para decidir como o Afeganistão será governado caso o Taleban, que controla a maior parte do país, seja derrotado. O conselho consistiria de 120 pessoas escolhidas entre a oposicionista Aliança do Norte, assim como em diferentes províncias e grupos étnicos. Mehdi disse que o governo antevê agora o conselho sendo formado em dois ou três anos, "depois que o Taleban seja completamente derrotado" e que não iria propor uma lista de delegados. Ao invés disso, continuou, os membros do conselho deveriam ser escolhidos pelo povo em eleições gerais. "Não deveriam ser apenas pessoas do lado do rei ou da frente unida", como a frouxa aliança de grupos anti-Taleban é conhecida, afirmou. Perguntado quem deveria governar o Afeganistão entre a derrota do Taleban e a formação da Loya Jirga, Mehdi respondeu: "Pensamos que deveria ser nosso governo, que tem amplas bases". A comunidade internacional tem expressado preocupação que a derrota do Taleban poderia provocar um vazio de poder que seria preenchido pelo governo Rabbani, que tem sido criticado por abusos de direitos humanos, incluindo execuções sumárias tanto antes quanto depois de ter sido derrubado do poder pelo Taleban em 1996. Mehdi afirmou que o governo ainda se compromete com o acordo e que Rabbani iria propor às Nações Unidas que uma força internacional de paz seja responsável pela segurança em Cabul até que o novo governo seja formado. A nova estratégia política foi anunciada no momento em que forças da oposição garantiam estar tendo avanços na luta contra o Taleban na última semana. Mehdi disse que forças da oposição assumiram o controle por várias horas na noite desta terça-feira do aeroporto militar de Dedai, nas proximidades da estratégica cidade de Mazar-i-Sharif, mas foram expulsas por milicianos chechenos que apóiam o Taleban. A captura de Mazar-i-Sharif permitiria à oposição consolidar o controle de uma pequena região no norte do Afeganistão, uma vez que pela cidade passam estradas no sentido leste e oeste que ligariam bolsões territoriais da Aliança do Norte. Mehdi também disse que as forças da oposição estão preparando uma ofensiva contra as cidades nortistas de Kunduz e Taloqan, para onde, segundo ele, o Taleban deslocou dezenas de milhares de combatentes. Os Estados Unidos sabem da concentração das tropas do Taleban na região, afirmou Mehdi, e "estamos esperando pelos bombardeios" antes de lançarem um assalto terrestre. As forças da oposição também aguardam a entrega num futuro próximo de armas e veículos da Rússia, conforme foi acertado em julho, disse Mehdi. Entre o equipamento estão 40 tanques, 12 helicópteros e veículos blindados, detalhou. O Paquistão, que concordou em oferecer apoio logístico para a campanha aérea contra o Afeganistão, tem pressionado os EUA e a Grã-Bretanha para não ajudarem diretamente as tropas da oposição. O Paquistão teme que a Aliança do Norte, um inimigo de longa data, assuma o poder depois da queda do Taleban. Leia o especial

Agencia Estado,

16 Outubro 2001 | 18h48

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