Forças Armadas da Colômbia destroem áreas da guerrilha

Aviões de combate da Força Aérea colombiana (FAC) bombardearam nesta quinta-feira 85 alvos na zona cedida pelo governo à guerrilha da Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), informou Consuelo García, porta-voz das forças militares. Os ataques começaram minutos depois de concluir a vigência da zona desmilitarizada que durante mais de três anos esteve em poder das FARC durante as negociações de paz que o presidente Andrés Pastrana suspendeu ontem à noite, em meio a uma incessante onda terrorista lançada pela guerrilha. Os aviões K-fir, OV-10, A-37, Tucanos e helicópteros de combate lançaram bombas contra pistas de aterrissagem, acampamentos militares, plantações de coca e estradas construídas pela guerrilha na zona de 42.000 km2 - uma área equivalente à da Suíça - no sudoeste do país. Embora expressando preocupação com as possíveis retaliações por parte da guerrilha à ofensiva das Forças Armadas, Pastrana mostrou pela televisão ontem à noite fotos da inteligência militar nas quais aparecem todos os alvos que foram atacados, em uma região onde a guerrilha havia concentrado milhares de combatentes. "Estamos fazendo nosso trabalho", disse à Rádio Cadeia Nacional (RCN) um piloto ao regressar à base militar de Apiay, cerca de 100 km ao sul de Bogotá, de uma missão de bombardeio na zona desmilitarizada. "Alcançamos os alvos que incluem acampamentos, estradas e pistas de aterrissagem com nossas bombas que têm um raio de destruição de 100 metros", acrescentou. "Basicamente nossa tarefa é manter uma campanha aérea, lançando bombas sobre objetivos determinados. Realizamos cerca de 200 missões após a meia-noite", afirmou o piloto na base militar de Apiay seis horas após o início das operações. Ao mesmo tempo, tropas de infantaria e a aviação do Exército, apoiadas por tanques, estavam prontas para cercar, cortando a retirada da guerrilha, os municípios de San Vicente del Caguán, Mesetas, La Macarena, Vistahermosa e Uribe, que fazem parte da zona desmilitarizada, agora em processo de recuperação pelas tropas do governo. O general Fernando Tapias, comandante da Forças Armadas, disse esta madrugada que os cerca de 100.000 habitantes da zona desmilitarizada estarão sob a proteção de suas tropas. Os prefeitos desses municípios temem ser atacados por grupos paramilitares por terem convivido com a guerrilha enquanto durou o fracassado processo de paz.Para estudar medidas contra uma eventual ofensiva terrorista devido à ruptura do processo de paz, o presidente Pastrana iniciou hoje uma série de consultas com ministros e assessores, disseram fontes do governo. "Temos de estar preparados, porque é muito possível que aumentem os atos terroristas", afirmou o mandatário após anunciar o rompimento das negociações com o maior grupo guerrilheiro do país. Os conselheiros do presidente estão analisando as medidas que poderiam ser adotadas tomando por base as alternativas que lhes faculta a Constituição de 1991, informou uma fonte do serviço de imprensa da Casa de NariÏo, a sede do governo.

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