AP Photo/Rodrigo Abd
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Forças Armadas da Venezuela afirmam estar em 'alerta' para evitar violação das fronteiras

O pronunciamento foi visto como um rechaço aos pedidos do presidente americano, Donald Trump, que pediu que os militares aceitem a anistia oferecida por Juan Guaidó; fronteira com Curaçao foi fechada

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2019 | 15h20

CARACAS - A Força Armada da Venezuela declarou nesta terça-feira, 19, estar em "alerta" para evitar uma violação do território com a entrada anunciada de ajuda humanitária no sábado 23 e reiterou sua "lealdade irrestrita" ao presidente Nicolás Maduro. As autoridades também determinaram o fechamento das fronteiras marítimas e aéreas entre Venezuela e Aruba, Bonaire e Curaçao, onde a Holanda havia anunciado a instalação de um centro para envio de apoio aos venezuelanos na semana passada. 

"A Força Armada permanecerá mobilizada e alerta ao longo das fronteiras (...) para evitar qualquer violação à integridade de seu território", disse o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, quem, em nome do alto comando militar, reiterou "irrestrita obediência, subordinação e lealdade" a Maduro em um pronunciamento visto como um rechaço aos pedidos do presidente americano, Donald Trump

O chefe militar acusou Trump de ser "arrogante" por pedir ao Exército venezuelano que aceite a anistia oferecida pelo líder da oposição Juan Guaidó e a romper com Maduro, avisando que, do contrário, "perderão tudo". "Reiteramos sem restrições obediência, subordinação e lealdade", afirmou Padrino. "Aqui temos presidente, aqui temos o comandante-em-chefe, Nicolás Maduro". 

O ministro afirmou ainda que as Forças Armadas não permitirão a implementação de "um governo fantoche, subserviente, entreguista, antipatriótico" pela força. "Eles terão que passar por nossos cadáveres", afirmou.

Na véspera, Trump pediu aos militares venezuelanos que aceitem a anistia oferecida por Guaidó.  Também afirmou que "os dias do socialismo e do comunismo estão contados" na Venezuela, Cuba e Nicarágua.

De Caracas, Maduro respondeu ao apelo do presidente americano aos militares: "Donald Trump acredita na potestade de dar ordens e que a Força Armada Nacional Bolivariana vai cumprir as ordens dele". "A Donald Trump, o chefe do império, vamos responder com a moral, com a verdade, com união. Subestimam um país inteiro", disse durante ato de governo transmitido pela TV venezuelana.

Mais cedo, Juan Guaidó também exigiu aos militares que deixassem entrar no país a ajuda humanitária, apesar de o governo de Maduro ter ordenado bloqueá-la por considerá-la o início de uma invasão militar americana. "A ordem está dada. De novo, senhores da Força Armada: permitam que entre a ajuda humanitária, têm a oportunidade de se colocar ao lado da Constituição, das necessidades do povo", assegurou o líder do Congresso.

Reconhecido como presidente interino por cerca de 50 países, Guaidó está preparando mobilizações em todo o país para acompanhar voluntários que irão à fronteira em caravanas de ônibus em busca de toneladas de remédios e alimentos, armazenados no Brasil, na Colômbia e em Curaçao.

"Em 23 de fevereiro, a ajuda humanitária de um jeito ou de outro vai entrar na Venezuela e em todos os cantos do país vamos nos mobilizar. As brigadas irão em caravana, enquanto haverá protestos (...). Não será através do medo que vão nos deter", assegurou Guaidó.

Apesar das declarações do opositor, nesta terça o almirante Vladimir Quintero, comandante do regime Maduro na região, confirmou a ordem para o fechamento das fronteiras marítimas e aéreas entre Venezuela e Curaçao, Aruba e Bonaire./ AFP

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