Forças Armadas do Egito alertam para falta de diálogo

As Forças Armadas do Egito alertaram para "efeitos desastrosos" se a crise política que atinge o país não for solucionada por meio do diálogo, em comunicado lido por um porta-voz na TV estatal neste sábado. "O caminho do diálogo é a melhor e única maneira de chegar a um acordo e atender aos interesses da nação e de seus cidadãos", destacou o porta-voz. "O oposto disso nos levará para um túnel escuro com efeitos desastrosos."

AE, Agência Estado

08 de dezembro de 2012 | 12h24

Violentos protestos e confrontos entre partidários do presidente Mohammed Morsi e seus adversários mataram civis e deixaram escritórios do partido de Morsi, Irmandade Muçulmana, em chamas desde que a crise começou, no mês passado.

Na sexta-feira (07), o Egito adiou a votação antecipada da proposta. Assessores disseram que a medida iria aliviar alguma pressão e daria espaço para negociações com a oposição. Mas os adversários Morsi têm rejeitado negociar, dizendo que ele deve primeiro cancelar o referendo e atender a outras demandas. Na sexta-feira (07), um grupo que reúne vários membros da oposição a Morsi conclamou um protesto sem previsão de término em frente ao palácio presidencial.

Milhares de pessoas marcharam em direção ao palácio depois de empurrar cercas de arame farpado instaladas pelo exército e pedir a renúncia de Morsi. Manifestantes também seguem acampados na Praça Tahrir, berço da revolta que derrubou Hosni Mubarak, em 2011.

O ministro de Assuntos Jurídicos, Mohammed Mahsoub, disse que o governo avalia várias propostas, inclusive o cancelamento do referendo e a devolução do projeto à assembleia constituinte para mudanças. Outra possibilidade foi a dissolução da constituinte e a formação de uma nova por voto direto ou acordo entre as forças políticas. "Nós temos uma grande chance amanhã (se referindo a este sábado)", disse Mahsoub à rede de televisão Al-Jazeera na sexta-feira (07), sobre o que seria uma reunião entre Morsi e outros políticos. "No sábado ou dias depois, podemos chegar a um bom acordo."

O vice-presidente, Mahmoud Mekki, também disse que tinha contatado Mohamed ElBaradei para se juntar Morsi em um diálogo. ElBaradei lidera a recém-constituída Frente de Salvação Nacional, um grupo de liberais e jovens que se opõem aos decretos de Morsi e lideraram os protestos no Cairo. No entanto, a Frente de Salvação Nacional rejeitou, em nota, as negociações com Morsi, organizando o novo protesto em frente ao palácio e alertando para ataques contra os manifestantes.

"Nós rejeitamos o diálogo falso, que Morsi pediu. No mesmo comunicado, o grupo disse que não haverá discussões antes que os mandantes do "derramamento de sangue sejam responsabilizados". As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

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