Ints Kalnins/REUTERS
Ints Kalnins/REUTERS

Forças Armadas do Reino Unido serão modernizadas e terão mais navios

Estratégia inclui também redução do número de soldados; Royal Marines passarão por transformação

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2021 | 12h00

LONDRES - Depois da muito criticada decisão de aumentar o arsenal nuclear britânico, o governo de Boris Johnson apresenta nesta segunda-feira, 22, uma estratégia para modernizar suas Forças Armadas que inclui o aumento da capacidade naval e tecnológica, mas também a redução do número de soldados.

O ministro da Defesa, Ben Wallace, apresentou ao Parlamento um plano que implicará a mobilização de "mais barcos, submarinos, marinheiros" e uma transformação dos Royal Marines em uma nova unidade denominada "Future Commando Force".

A unidade se encarregará de "proteger as rotas marítimas e manter a liberdade de navegação" e receberá mais de 200 milhões de libras (R$ 1,5 bi) de investimento direto na próxima década.

Um novo navio de vigilância da Royal Navy entrará em operação em 2024, com uma tripulação de 15 pessoas, para proteger os cabos submarinos britânicos e outras infraestruturas. 

O plano inclui, ainda, mais investimentos em "inteligência, vigilância e reconhecimento, na guerra eletrônica, nas capacidades de ataque, assim como em sensores melhorados e medidas defensivas".

Mas este "aumento da capacidade de mobilização e a vantagem tecnológica do exército significará que se pode obter um efeito maior com menos pessoas", explicou o ministro, ao anunciar uma redução de efetivos de 76.500 para 72.500 em 2025.

Assegurando que o exército britânico "não está em sua força estabelecida de 82 mil desde meados da década passada", destacou que estes cortes "não requererão dispensas".

"Investir a longo prazo"

A apresentação deste plano ocorre menos de uma semana depois de o Reino Unido anunciar a decisão de aumentar o limite máximo de seu arsenal nuclear pela primeira vez desde o fim da Guerra Fria.

O arsenal passará de 180 ogivas nucleares para 260, ou seja, um aumento de 45% que acabará com o desarmamento progressivo empreendido pelo país após a queda da União Soviética em 1991.

A guinada, justificada por Londres pela necessidade de "manter um nível mínimo crível de dissuasão" diante de novas ameaças, foi descrita como "hipocrisia monstruosa" pelo Irã e como dano à "estabilidade mundial e segurança estratégica" pela Rússia.

A decisão foi anunciada no final da primeira revisão estratégica em segurança, defesa e política externa realizada desde o início do Brexit, com o fim do período de transição em 1º de janeiro.

"Não queremos guerras, queremos dissuadi-las e ser úteis em todo o mundo, em colaboração com nossos amigos, para manter a paz", disse na segunda-feira o premiê Boris Johnson durante a visita a instalações da gigante de defesa britânica BAE Systems no noroeste da Inglaterra.

"Para isso, precisamos de forças armadas fortes e robustas", acrescentou, destacando querer "investir a longo prazo" não só com fins militares, mas também por "boas razões econômicas".

PIB 

Depois, o líder conservador falou por telefone com o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, a quem "enfatizou o firme compromisso do Reino Unido com a Otan como garantidor da segurança euroatlântica" e destacou "que o aumento do investimento em defesa eleva o gasto total britânico a 2,2% do PIB, acima do objetivo" de 2% estabelecido pelo bloco para seus membros.

Johnson havia anunciado em novembro um investimento sem precedentes na defesa nas últimas três décadas: 190 bilhões de libras (R$ 1,4 tri) nos próximos quatro anos.

No âmbito do plano de modernização, será mobilizada em terra uma brigada de operações especiais "capaz de operar discretamente em entornos de alto risco e de se deslocar rapidamente no mundo", explicou o ministério da Defesa.

Será composta de quatro batalhões e durante os próximos quatro anos, se investirá nela 120 milhões de libras (R$ 912 milhões).

Também será criada uma Brigada de Assistência às Forças de Segurança para assessorar e formar os países aliados. /AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.