Forças Armadas e ativistas discutem reformas para Egito pós-Mubarak

Wael Ghonim e o blogueiro Amr Salama encontraram-se com representantes do Exército

AE, Agência Estado

14 de fevereiro de 2011 | 09h17

         

 

CAIRO - Os ativistas virtuais que organizaram o levante popular no Egito disseram nesta segunda-feira, 14, que haviam discutido reformas no país com os novos líderes militares, um dia após os generais dissolverem algumas das bases do regime do ex-presidente Hosni Mubarak.  

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Os ativistas afirmaram que a junta militar, que suspendeu ontem a Constituição, comprometerou-se a reescrevê-la em dez dias e realizar um referendo em dois meses. As medidas estão em linha com o desejo dos manifestantes por mudanças democráticas. O Conselho Supremo das Forças Armadas estabeleceu um cronograma de seis meses para realizar eleições nacionais, mas disse que o gabinete apontado por Mubarak em 31 de janeiro, liderado por um ex-comandante das Forças Armadas, será mantido.

"Nós nos encontramos com o Exército para entender o ponto de vista deles e apresentar nossas visões", disseram o executivo do Google Wael Ghonim e o blogueiro Amr Salama, em uma nota em um site pela democracia que ajudou a deflagrar a revolta. Ghonim se tornou um herói involuntário, após descrever entre lágrimas os 12 dias de prisão que sofreu durante a crise em uma entrevista na televisão. Ele negou, porém, ter ambições políticas.

Os militares anunciaram ontem a dissolução do Parlamento. Mubarak renunciou na sexta-feira, após três décadas no poder. O Legislativo era visto como ilegítimo, após as eleições do ano passado marcadas por acusações de fraudes, deixando o Partido Democrático Nacional com ampla maioria. Os manifestantes também exigiam a revisão da Constituição, que limitava quem podia ser candidato e na prática tornava quase impossível que o partido governista fosse desafiado nas urnas pela oposição. As informações são da Dow Jones.

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