AFP PHOTO / YAMIL LAGE
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Forças Armadas Revolucionárias são pilar militar, econômico e político de Cuba

Raúl Castro disse que as Far ‘nunca renunciarão a cumprir’ o papel de ‘serviço da defesa do povo, do Partido, da Revolução e do Socialismo’

O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2016 | 15h39

HAVANA - As Forças Armadas Revolucionárias (Far), surgidas dos "barbudos" de Fidel Castro, líder da Revolução Cubana, que tomaram o poder em Cuba em 1959, são um pilar militar, econômico e político determinante para a sobrevivência do governo de seu irmão Raúl.

Ministro das Forças Armadas durante 49 anos, até assumir formalmente a presidência de Cuba, Raúl - cinco anos mais novo do que Fidel e único general de quatro estrelas - considera "natural" o grande peso que os militares têm na ilha, pois do Exército Rebelde saiu o Partido e todo o quadro político cubano. As Far "nunca renunciarão a cumprir" o papel de "serviço da defesa do povo, do Partido, da Revolução e do Socialismo", disse Raúl Castro no VI Congresso comunista.

De 1961 a 1989, enquanto a União Soviética apoiava Cuba, as Far receberam armamentos de US$ 30 bilhões. Mas desde que o bloco ruiu, houve uma redução de 300 mil para 50 mil homens.

Para subsistir criaram sua própria indústria militar e entraram nos negócios. Suas empresas fabricaram e modernizaram fuzis, projéteis, minas, helicópteros, aviões, carros de combate, tanques e radares, e adotaram o chamado modelo de "aperfeiçoamento empresarial" de rentabilidade, eficiência e controle, que foi estendido ao setor civil.

Após deixar o Exército para assumir a presidência, Raúl nomeou o general Julio Casas Regueiro, que antes administrava os negócios e a economia militar. Quando ele morreu, em setembro de 2011, designou o general Leopoldo Cintra Frías, herói das campanhas na Etiópia e em Angola.

O genro de Raúl, o general Luis Rodríguez, é presidente-executivo do Grupo de Administração Empresarial das Far e é considerado um dos "cérebros" da reforma econômica impulsionada pelo presidente. Foi incorporado ao Comitê Central no Congresso do Partido.

Os militares entraram para os negócios nos setores de comunicações, agricultura, transporte, açúcar e turismo, e é a segunda maior fonte de divisas, operada por meio da Corporação Gaviota, um gigante com mais de 40 hotéis e vilas, 4 navios mercantes, uma companhia aérea, uma rede de lojas e empresas de aluguel de carros.

As Far são formadas por uma pequena Marinha de Guerra (com lanchas com torpedos e caças submarinos), Defesa Antiaérea (com caças MIG, foguetes e artilharia antiaérea) e Exército. Fizeram campanhas internacionais de envergadura, a principal em Angola nos anos 1970 e 1980, onde chegaram a ter 50 mil homens em um momento crucial da guerra.

Também estiveram na Etiópia e em dezenas de países africanos. Mas foram atingidas pelo polêmico caso do general Arnaldo Ochoa, chefe do corpo expedicionário em Angola, e outros três altos oficiais fuzilados em 1989, acusados de tráfico de drogas, de marfim e de pedras preciosas.

Embora alguns analistas as considerem obsoletas, as Far podem ser apoiadas em caso de guerra por milhares de homens do Exército Juvenil do Trabalho, por mais de um milhão de cubanos das Milícias de Tropas Territoriais, e por 3,5 milhões das Brigadas de Produção e Defesa.

Veja abaixo: Sierra Maestra: origem da Revolução Cubana

Sob a doutrina da "Guerra de Todo o Povo", as Far se prepararam com pequenas esquadras móveis em uma hipotética invasão dos EUA, o maior inimigo de Cuba até a histórica reconciliação entre ambos os países em 2014. / AFP

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