Foto: Ministério da Defesa da Armênia/AFP
Foto: Ministério da Defesa da Armênia/AFP

Forças azeris disparam contra unidade militar armênia longe de Nagorno-Karabakh

Armênia e Azerbaijão disputam região de Nagorno-Karabakh, comandada por armênios, que fica no meio do território do azeri

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2020 | 04h20

As forças armadas azeris abriram fogo contra uma unidade militar armênia na cidade fronteiriça de Vardenis, a quilômetros de distância da região separatista de Nagorno-Karabakh, que tem sido o foco de confrontos nos últimos dias, disse o Ministério da Defesa da Armênia.

Um ônibus civil foi incendiado após ser atingido por um drone não tripulado azerbaijano, informou a agência em um comunicado. Separadamente, a Armênia negou um relatório anterior do ministério da defesa do Azerbaijão de que o exército armênio havia bombardeado a região de Dashkesan, na fronteira entre os dois países.

Forças armênias e azeris desdobraram artilharia pesada nesta terça-feira, 29, no último confronto na região separatista de Nagorno-Karabakh. O ministério da defesa do Azerbaijão disse que as forças adversárias tentaram recuperar o terreno perdido lançando contra-ataques nas direções de Fizuli, Jabrayil, Agdere e Terter.

O ministério disse em um comunicado que pela manhã houve combates em torno da cidade de Fizuli e o exército armênio bombardeou a região de Dashkesan na fronteira entre os dois países, a quilômetros de Nagorno-Karabakh. A Armênia negou, mas relatou combates durante a noite e disse que o exército de Nagorno-Karabakh repeliu ataques em várias direções ao longo da linha de contato. 

Nagorno-Karabakh é uma região separatista que fica dentro do Azerbaijão, mas é administrada por armênios étnicos e é apoiada pela Armênia. Ela se separou do Azerbaijão em uma guerra na década de 1990, mas não é reconhecida por nenhum país como uma república independente.

Os confrontos entre as forças armênias e azeris em torno de Nagorno-Karabakh, o mais pesado desde 2016, reacenderam a preocupação com a estabilidade na região do sul do Cáucaso, um corredor para oleodutos que transportam petróleo e gás para os mercados mundiais.

Os dois lados se acusam mutuamente de usar artilharia pesada nos confrontos desta semana, nos quais dezenas de pessoas morreram e centenas ficaram feridas.

O Azerbaijão informou no domingo, 27, sobre a morte de cinco membros de uma família, enquanto a Armênia disse na terça-feira que uma menina de 9 anos foi morta em um bombardeio, enquanto sua mãe e um irmão ficaram feridos. Uma mãe e seu filho foram mortos em Martuni no domingo, disse o ministério da defesa de Nagorno-Karabakh.

A Armênia está considerando a possibilidade de concluir uma aliança político-militar com Nagorno-Karabakh, escreveu Lilit Makunts, parlamentar da aliança My Step no governo, em sua página no Facebook.

Qualquer movimento para uma guerra total pode arrastar as grandes potências regionais Rússia e da Turquia. Moscou tem uma aliança de defesa com a Armênia, que fornece apoio vital ao enclave e é sua tábua de salvação para o mundo exterior, enquanto Ancara apóia seus próprios parentes de etnia turca no Azerbaijão. /REUTERS

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