Thomas Peter / Reuters
Thomas Peter / Reuters

Forças de segurança da China se concentram perto da fronteira com Hong Kong

Pequim relaciona as ações dos manifestantes pró-democracia a 'terrorismo'; tom mais duro provoca o temor de uma repressão militar para sufocar um movimento iniciado há mais de dois meses

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2019 | 02h16
Atualizado 16 de agosto de 2019 | 12h18

HONG KONG - Forças de segurança da China estão concentradas nesta quinta-feira, 15, em Shenzhen, cidade próxima à fronteira com Hong Kong, em meio à escalada da crise pelas manifestações pró-democracia. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esperar que Pequim atue com "humanidade" pelo bem das negociações comerciais.

A China, que criticou na véspera as agressões "de tipo terrorista" contra seus habitantes nos confrontos em Hong Kong, concentrou os policiais militares em um estádio de Shenzhen, segundo um jornalista da agência France-Presse. Eles estavam cercados por caminhões e blindados de transporte de tropas.

Após dois meses de protestos em Hong Kong a favor da democracia, Pequim deu a entender nos últimos dias que poderia empregar a força para restabelecer a ordem na ex-colônia britânica.

Em um momento de grande tensão, e após uma série de tuítes desconcertantes e anteriores à concentração de forças, Trump pareceu vincular um eventual acordo comercial com Pequim a uma resolução "humana" do conflito em Hong Kong.

"Milhões de empregos estão sendo perdidos na China para países sem tarifas. Milhares de empresas estão indo embora. Com certeza, a China quer alcançar um acordo. Deixem que trabalhem humanamente com Hong Kong primeiro", escreveu ele na rede social.

Em outra mensagem publicada mais cedo, Trump afirmou que o presidente chinês, Xi Jinping, poderia "solucionar o problema de Hong Kong rápida e humanamente", e sugeriu uma "reunião pessoal".

Nos EUA, as críticas a Trump aumentam por sua aparente indulgência a respeito de Pequim, com quem Washington está envolvido em importantes e árduas negociações comerciais.

Na quarta, um porta-voz do Departamento de Estado citou a preocupação com a "erosão contínua" da autonomia de Hong Kong e manifestou apoio "firme" aos direitos de liberdade de expressão e reunião pacífica na ex-colônia britânica.

Atos 'terroristas'

Os manifestantes agrediram na terça-feira dois cidadãos da China continental durante um protesto no aeroporto de Hong Kong, que suspendeu os voos por dois dias consecutivos.

"Condenamos com veemência atos de tipo terrorista", afirmou em um comunicado Xu Luying, porta-voz do Escritório de Assuntos de Hong Kong e Macau do governo chinês.

Com as acusações, Pequim assimila as ações dos manifestantes pró-democracia ao "terrorismo" pela segunda vez durante a semana. O tom mais duro provoca o temor de uma repressão militar para sufocar um movimento iniciado há mais de dois meses.

Os manifestantes deixaram o aeroporto, que na quarta-feira recuperou o ritmo normal. Quase 100 ativistas se reuniram mais tarde no bairro operário de Sham Shui Po, diante de uma delegacia, mas a polícia dispersou o ato com gás lacrimogêneo.

A atual crise representa o maior desafio à autoridade da China sobre Hong Kong desde que foi devolvido pelo Reino Unido em 1997. As manifestações, que levaram milhões de pessoas às ruas, começaram em razão de um projeto de lei que permitiria extradições à China. O movimento, no entanto, se tornou mais amplo, com uma pauta de defesa das liberdades democráticas e contra a influência de Pequim no território. / AFP

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