Forças curdas assumem o controle de dois poços de petróleo no Iraque

Bloco político curdo suspende a participação no governo iraquiano após acusações do primeiro-ministro Maliki

O Estado de S. Paulo

11 de julho de 2014 | 11h07

BAGDÁ - Forças curdas assumiram o controle de dois poços de petróleo perto de Kirkuk nesta sexta-feira, 11, e expulsaram trabalhadores, segundo o Ministério do Petróleo em Bagdá e fontes na Companhia de Petróleo do Norte.

Eles disseram que a ação ocorreu de madrugada. "O Ministério do Petróleo confirma que forças armadas peshmerga junto com alguns civis entraram em estações de produção de petróleo nos campos de Kirkuk e Bai Hassan na madrugada desta sexta-feira e expulsaram trabalhadores", disse um porta-voz do ministério.

O Ministério Nacional do Petróleo em Bagdá condenou a tomada dos poços e pediu que os curdos se retirem imediatamente para evitar "consequências calamitosas".

A ocupação ocorre um mês depois de as forças curdas tomarem o controle da cidade vizinha de Kirkuk, com a retirada das tropas iraquianas durante a rápida ofensiva de militantes sunitas do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Isil, na sigla em inglês), que se apoderou de amplas áreas no norte e oeste do Iraque.

A violência também elevou a tensão política entre o primeiro-ministro Nuri al-Maliki e líderes curdos.

Nesta sexta, o ministro de Relações Exteriores disse que o bloco político curdo não participará mais do governo nacional do Iraque em protesto contra a acusação de Maliki de que o governo curdo estava abrigando insurgentes em sua capital. “Nós suspendemos nossos negócios no governo”, disse o ministro curdo Hoshiyar Zebari.

Zebari declarou que os ministros curdos estavam suspendendo o seu envolvimento no dia a dia nos ministérios de Relações Exteriores, Comércio, Imigração e da Saúde, além do cargo de vice-premiê. Segundo ele, os curdos continuarão a frequentar o Parlamento, eleito em 30 de abril.

Na quarta-feira 9 Maliki declarou que os curdos estavam permitindo que insurgentes do Isil mantivessem bases em Arbil.

Zebari disse que o Iraque corre o risco de um colapso se um novo governo inclusivo não for formado em breve, já que "o país está agora dividido literalmente em três Estados: os curdos, o Isil e Bagdá". "Há a necessidade de todos os líderes trabalharem juntos e recriarem um novo Iraque, construírem um Iraque federal baseado nos princípios constitucionais", acrescentou. / REUTERS

Tudo o que sabemos sobre:
IraqueIsilcurdos

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.