AP
AP

Forças curdas tomam cidade próxima ao principal reduto do Estado Islâmico na Síria

Tropas das Unidades de Proteção do Povo recuperaram controle de Ain Issa, menos de 50 quilômetros de Raqqa, capital autoproclamada do EI; vídeo dos jihadistas mostra execução de 16 'espiões'

O Estado de S. Paulo

23 de junho de 2015 | 12h49

DAMASCO - Forças lideradas pelos curdos tomaram nesta terça-feira, 23, o controle da cidade de Ain Issa, a menos de 50 quilômetros Raqqa, capital autoproclamada do Estado Islâmico (EI), no norte da Síria, segundo informações de Ridor Khalil, um comandante das Unidades de Proteção do Povo (YPG, na sigla em curdo).

A recuperação de Ain Issa é uma das principais derrotas do EI nos últimos tempos. O oficial curdo sírio explicou por telefone que seus milicianos recuperaram o controle de Ain Issa, que está no meio do caminho das regiões da "Al-Jazeera" e Kobani, dois dos principais enclaves curdos do país árabe. 

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que monitora a guerra, afirmou que os combatentes do Estado Islâmico se retiraram completamente da cidade. O porta voz das Unidades de Proteção Popular curdas, Redur Xelil afirmou que um ataque a Raqqa não está nos planos no momento. O Observatório declarou que a meta do avanço é assumir o controle de uma rodovia leste-oeste que atravessa Ain Issa e que liga a cidade de Alepo à Província de Hasaka, no nordeste do país.

Nos últimos dias, o avanço das Unidades de Proteção do Povo, ajudadas por rebeldes de outras facções e pela coalizão internacional liderada pelos EUA, foi forte pela Província de Raqqa, sob controle do EI.

Khalil disse que a tomada de Ain Issa foi rápida, após a queda na noite de segunda-feira da base da antiga brigada 93 do Exército sírio, até então controlada pelo EI. Ain Issa está na primeira linha de defesa da cidade de Raqqa

Há uma semana, a YPG recuperou dos jihadistas a cidade de Tel Abiad, na fronteira com a Turquia, por onde passava uma das principais vias de provisões dos radicais em Raqqa. O EI proclamou há quase um ano um califado na Síria e Iraque, onde tomou amplas zonas do território. 

Palmyra. O EI destruiu nos últimos dias dois antigos mausoléus islâmicos na cidade de Palmyra, que caiu nas mãos dos jihadistas há um mês, afirmou o governo sírio. Autoridades sírias asseguraram, porém, que as ruínas greco-romanas da cidade não sofreram danos.

Há três dias os jihadistas detonaram o mausoléu de Mohammad Ben Ali, um descendente da família do primo do profeta Ali Ben Abi Taleb, disse o diretor de antiguidades sírias Maamun Abdel Karim. O EI publicou fotografias que mostram dois homens levando fuzis e botijões, provavelmente cheios de explosivos, à colina onde as ruínas se localizam.

Segundo Karim, o EI também detonou um mausoléu em Chkaf de mais de 500 anos de antiguidade conhecido pelo nome de Nizar Abu Bahaedin, um religioso de Palmyra. O monumento encontra-se no oásis da cidade, a 500 metros do Arco do Triunfo.

Espiões. Também nesta terça-feira, um vídeo divulgado pelos extremistas mostra a execução de 16 homens descritos como "espiões", alguns deles afogados em uma gaiola mergulhada em uma piscina. A filmagem de 7 minutos e 30 segundos foi postado em sites jihadistas pelo braço do EI em Nínive, província no norte do Iraque, da qual Mossul é a capital.

O grupo apresenta dezesseis "espiões" em túnica laranja que são identificados e que falam brevemente em frente à câmera. Eles são executados em três grupos, um método que ainda não havia sido utilizado publicamente pelo EI.

Cinco homens são trancados em uma jaula de aço, que é levantada do chão para ser imersa em uma grande piscina onde seu afogamento é filmado por duas câmeras à prova d'água amarradas nas grades.

Outro grupo de quatro homens é colocado em um carro que foi destruído por um tiro de lança-foguetes e sete outros são decapitados pela explosão de um cabo amarrado em seus pescoços, de acordo com o vídeo. / EFE, REUTERS e AFP

Tudo o que sabemos sobre:
EISíriaRaqqaYPG

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.