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Forças curdo-árabes combatem Estado Islâmico para expulsá-lo de seu último reduto na Síria

Cercados há semanas na Província de Deir Es-Zor, jihadistas estão entrincheirados em túneis

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2019 | 11h05

BAGHUZ, SÍRIA - As forças curdo-árabes travam neste sábado, 2, duras batalhas contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI), que defende o seu último reduto na Síria, no segundo dia da batalha para acabar com o autoproclamado califado.

Depois de uma ascensão meteórica em 2014 e a proclamação de um califado entre o Iraque e a Síria, o EI perdeu seus territórios, e esta última batalha marca o início do fim territorial do grupo jihadista.

Cercados há semanas em seu último reduto, na província oriental de Deir Es-Zor, na Síria, os últimos combatentes do EI estão entrincheirados em túneis, em meio a diversas minas no leste da cidade de Baghuz, na margem leste do Eufrates, não muito longe da fronteira iraquiana.

As Forças Democráticas Sírias (FDS), que lideram a guerra contra o EI na Síria, conduziram esta última batalha para selar o fim do califado da organização extremista, acusada de perpetrar crimes contra a humanidade.

"Neste momento há intensos combates", disse um membro das FDS, que controlam a maior parte de Baghuz. "Nossas forças estão avançando em duas frentes" e progrediram "quase um quilômetro" em uma zona intermediária que as separa do reduto jihadista, acrescentou. Três membros dessa força ficaram feridos, indicou outra fonte das FDS.

"Não podemos estabelecer um cronograma para esta batalha. Duas semanas, três semanas ou uma semana, isso dependerá das surpresas que encontrarmos ao longo do caminho", afirmou Adnan Afrin, porta-voz das FDS. "Aqueles que não se renderem, seu destino será a morte.” Para resistir, "o EI tem seus franco-atiradores, bombas e minas", explicou ele.

Vítimas do conflito

Apoiadas por uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, as FDS, implicadas desde setembro nesta ofensiva contra a última fortaleza do EI, teve de suspender as operações há mais de duas semanas para proteger os civis.

Milhares de pessoas, especialmente mulheres e crianças, deixaram a região desde então. Desde dezembro, cerca de 53 mil pessoas, incluindo mais de 5 mil jihadistas, deixaram o setor, segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos.

Na quinta-feira, um porta-voz das FDS, Mustafa Bali, disse que os civis "que ainda estavam lá não queriam sair". Se mais civis detidos pelo EI fossem encontrados, o ataque em andamento poderia ser interrompido.

A maioria dos civis retirados foi levada para o campo de deslocados de Al Hol, na Província de Al Hasakah, mais ao norte, onde vivem em condições que as ONGs descrevem como "duras". A ONU alertou que "tendas, alimentos, água, equipamentos médicos e médicos são necessários".

Clandestinidade

A perda de Baghuz implicaria o fim territorial do califado do EI, mas o grupo já começou a se organizar clandestinamente. Muitos combatentes fugiram para o deserto da Síria, que se estende do centro do país até a fronteira iraquiana, e continuam a cometer ataques mortais.

De acordo com Afrin, "o califado desaparecerá geograficamente com o fim de Baghuz, mas, ideologicamente e com células (dormentes), este não será o fim".

Além disso, sem um constante compromisso antiterrorista, o EI levaria entre 6 e 12 meses para iniciar um "ressurgimento", alertou recentemente o Exército americano.

A guerra na Síria já deixou mais de 360 mil mortos e forçou milhões de pessoas ao exílio. / AFP

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