Forças da ONU devem dobrar contingente no Líbano até sexta-feira, diz Annan

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse nesta terça-feira que as Nações Unidas esperam dobrar o contingente das forças internacionais no sul do Líbano até sexta-feira.Annan fez as declarações após uma reunião com o ministro da Defesa israelense, Amir Peretz. Durante o encontro, o secretário pediu que Israel levante o bloqueio imposto ao Líbano "assim que possível, para que o país recupere suas atividades comerciais e reconstrua sua economia".Peretz respondeu que Israel espera levantar o bloqueio em breve, mas não especificou quando isso acontecerá. Israel quer que as tropas internacionais se posicionem na fronteira sírio-libanesa para prevenir o recebimento de armas vindas do Irã, via Síria, pelo Hezbollah."Os países membros não devem enviar armamentos para o Líbano, a não ser para o governo libanês. Se fizerem isso, estarão quebrando a resolução", disse Annan. Ainda assim, o secretário-geral disse que Israel é o principal responsável pela maioria das violações do frágil cessar-fogo que pôs fim aos 34 dias de combates entre Israel e o Hezbollah. Todos devem trabalhar para assegurar a estabilidade da paz e "não permitir que uma explosão (nas hostilidades) volte a acontecer em seis ou 20 anos", disse Annan.Israel informou que irá manter seus soldados no sul do Líbano até que um contingente suficientemente forte das tropas libanesas e internacionais chegue a região.Tropas italianasAnnan disse esperar que a ONU tenha 5 mil soldados posicionados na região até sexta-feira. É o dobro do número de homens que havia na região antes da guerra, mas ainda está longe do total de 15 mil soldados previstos na resolução da ONU.Uma esquadra de cinco navios italianos partiu para o Líbano nesta terça-feira carregando mais de 800 soldados prontos para cumprirem as obrigações das forças de paz no sul do Líbano.Alguns dos soldados disseram estar despreparados para os riscos de sua primeira missão no exterior, mas a maioria parecia exibir orgulho pelo papel assumido pela Itália para levar paz ao Oriente Médio."Essa missão apareceu de repente", disse o sargento Gaspare Sacavone, de 33 anos. "Ainda não sabemos o que iremos fazer quando estivermos no front; o que sabemos foi o que ouvimos na imprensa", disse, enquanto trabalhava em um dos navios.A força de vanguarda italiana é formada por fuzileiros navais e corporações de engenheiros militares. Ao todo, a Itália deve enviar nos próximos meses 2.500 soldados para o sul do Líbano. Este é de longe o maior contingente oferecido por um país para compor as forças de paz, cuja missão principal será manter o frágil cessar-fogo entre Israel e militantes do Hezbollah.Texto atualizado às 21h05

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