Forças da ONU ocupam reduto de gangues na capital do Haiti

Capacetes-azuis da ONU e policiais haitianos ocuparam nesta quarta-feira, 28, o último reduto de gangues na maior favela de Porto Príncipe, dando à força internacional autoridade total sobre a área pela primeira vez. Nenhum tiro foi disparado durante a operação, realizada em Cité Soleil. Os soldados, apoiados por veículos blindados, cercaram um quarteirão chamado de Bois Neuf, que funcionava como base de quadrilhas armadas supostamente responsáveis por uma onda de seqüestros e assassinatos em toda a capital haitiana. Sete suspeitos de pertencer às gangues foram detidos, mas seu líder, conhecido como Belony, conseguiu escapar.Bois Neuf era a última área dominada por gangues em Cité Soleil que ainda não tinha sido ocupada pelas forças da ONU, conhecidas por seu acrônimo francês Minustah."Em termos de território, 100% de Cité Soleil estão agora controlados pela Minustah e com o apoio do governo haitiano", disse o coronel brasileiro Magno Barroso, comandante das forças de paz no Haiti. "Agora podemos ir para onde quisermos sem a necessidade de máxima proteção."Entretanto, a porta-voz da ONU, Sophie Boutaud de la Combe, apresentou uma figura menos otimista sobre a conquista desta quarta-feira. Segundo ela, os soldados de paz apenas "estabeleceram uma presença em locais que eram controlados pelas gangues", mas não assumiram o controle total da favela.RefúgioDe acordo com a emissora de radio Metropole, vários criminosos de Cité Soleil, incluindo Belony, refugiaram-se em uma área rural ao noroeste da cidade de Gonaives.A operação desta quarta coincide com o terceiro aniversário da revolta que derrubou o presidente Jean-Bertrand Aristide, o primeiro líder haitiano eleito democraticamente. Aristide está exilado na África do Sul.Residentes de Cité Soleil, muitos dos quais ainda leais a Aristide, aparentemente comemoraram a operação das forças da ONU. "Estou feliz com a maneira com que (os capacetes-azuis) entraram, sem atirar em ninguém", disse Venel Jean Charles, de 35 anos, carregando seu filho no colo. "Agora espero que Deus finalmente nos traga a paz."

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