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Ação contra piloto rebelde deixa ao menos 5 mortos em Caracas

Segundo CNN e jornalistas locais, Óscar Pérez morreu no confronto; ex-policial lançou granadas contra prédios do governo em junho

O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2018 | 16h18

CARACAS - Militares venezuelanos cercaram nesta segunda-feira, 15, o ex-policial Óscar Pérez - que em junho realizou um ataque contra prédios do governo. Ele estava escondido nos arredores de Caracas. Segundo a CNN e o jornalista venezuelano Vladimir Villegas, com base em informações de um alto funcionário chavista, pelo menos cinco pessoas morreram, entre elas Pérez, que era o homem mais procurado da Venezuela.

"Os integrantes desta célula terrorista que fizeram resistência armada foram abatidos e cinco criminosos foram capturados e detidos", informou o ministério do Interior em comunicado, sem precisar se Pérez estava entre os mortos ou detidos.

Pérez, que também é piloto e ator amador, de 36 anos, passou a madrugada encurralado com seus homens em uma casa em El Junquito, nos arredores da capital. Em vídeos publicados em sua conta no Instagram, o rebelde acusou autoridades de quererem matá-lo, apesar de estar disposto a se entregar.

De acordo com o governo, Pérez e seus homens “estavam fortemente equipados com armas de grosso calibre e abriram fogo contra os agentes encarregados de sua captura”. O Ministério de Interior acrescentou que os rebeldes “tentaram detonar um veículo carregado de explosivos”. “Os policiais foram atacados quando estavam negociando as condições para sua entrega e resguardo”, destacou o governo chavista. 

Em junho, Pérez e outros homens não identificados sobrevoaram Caracas em um helicóptero da Polícia Forense, lançaram granadas contra o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) e dispararam contra o Ministério do Interior, sem deixar feridos.

A ação ocorreu em meio à onda de protestos contra o presidente Nicolás Maduro, que deixou 125 mortos entre abril e julho de 2017. Jornalistas da France Presse tentaram chegar ao local em que Pérez e seus homens foram localizados, mas o acesso havia sido bloqueado pelas autoridades. No local, eles viram passar um tanque do Exército, grupos de comandos especiais e ambulâncias.

"Estão disparando contra nós com lança-granadas e atiradores de elite. Dissemos que íamos nos entregar e não querem deixar que nos entreguemos, querem nos matar", disse Pérez em um vídeo em que aparece com o rosto ensanguentado e na companhia de outros homens armados. "Não querem que nos entreguemos, literalmente querem nos assassinar, acabaram de dizer. Força", ouve-se em um dos últimos vídeos gravados em meio a um tiroteio. "Vamos nos entregar, não continuem atirando", gritou.

O número dois do chavismo, Diosdado Cabello, com forte influência nos organismos de segurança e nas Forças Armadas do país, confirmou a operação em sua conta no Twitter.

"O terrorista Óscar Pérez atacou aqueles que o cercam, ferindo dois funcionários da FAES (Força de Ações Especiais da Polícia), os corpos de segurança responderam ao fogo", escreveu Cabello.

A ministra de Assuntos Penitenciários, Iris Varela, manifestou em sua conta do Twitter: "Que covarde, agora que está preso como um rato!". "Onde está a coragem que teve para atacar unidades militares, matar e ferir oficiais, e roubar armas?", lançou.

 

Roubo

Em dezembro, foi atribuída a Pérez a responsabilidade pela chamada “Operação Gênesis”, que acabou na invasão de uma base militar em Laguneta de La Montaña, um povoado do Estado de Miranda, de onde 26 fuzis Kalashnikov e 3 pistolas foram roubados. Maduro acusou os EUA de estarem por trás do ataque e pediu às Força Armadas Bolivarianas “tolerância zero com os grupos terroristas”.

Pérez, que desde então publicou vários vídeos nos quais diz lutar contra a “narcoditadura” e “tirania” na Venezuela, é acusado de ter realizado um “ataque terrorista” pelo governo e tinha uma ordem de captura emitida pela Interpol. “Quero pedir aos venezuelanos que não desistam! Lutem, saiam às ruas! É hora de sermos livres. E só vocês têm o poder agora”, afirmou o ex-policial na internet.

Antes do cerco chavista, Pérez enviou uma mensagem aos seus três filhos em que disse que suas ações contra o governo foram tomadas por eles e pelas outras crianças da Venezuela que estão sofrendo com a severa crise econômica, política e social.

Antes de seu ataque, Pérez já era conhecido pelos venezuelanos, pois estrelou o filme Morte Suspensa, de 2015, um longa-metragem de ação que conta a história de um famoso sequestro de um comerciante português em Caracas, ocorrido em 2012. / AFP e EFE

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