Forças de Assad massacram ao menos 78 em Hama, acusa oposição da Síria

Grupos da oposição síria denunciaram ontem um massacre de pelo menos 78 pessoas, grande parte mulheres e crianças, em um vilarejo nos arredores de Hama, um dos redutos dos rebeldes que protestam pela renúncia do ditador Bashar Assad. De acordo com as mesmas fontes, o número de vítimas pode chegar a cem.

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2012 | 03h02

A denúncia chega um dia antes do depoimento do enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, hoje. O Conselho Nacional Sírio, grupo político que agrega a oposição a Assad, afirmou que 20 mulheres e 20 crianças estão entre as vítimas.

Segundo o Comitê de Coordenação Local, grupo dissidente com sede em Londres, aviões de Assad bombardearam o vilarejo de Al-Qabir. Após o ataque aéreo, houve uma ofensiva terrestre de shabihas (fantasma, em árabe), uma milícia pró-Assad.

O governo sírio negou ter cometido o massacre. A TV estatal, citando funcionários do governo, responsabilizou "terroristas" - como o regime se refere aos dissidentes - pelo massacre. Em razão das restrições do governo sírio à ação de jornalistas no país, é difícil confirmar de maneira independente as informações.

A matança seria a mais violenta na Síria desde a morte de 108 pessoas em Hula, dia 25. Segundo o ativista Abu Hisham, a maioria das casas de um dos vilarejos foi queimada. A Comissão-Geral da Revolução ressaltou que os corpos apresentam sinais de execução, com tiros feitos a curta distância e à queima-roupa.

Após o massacre de Hula, nos arredores de Homs, forças de Assad concentraram seus esforços nos vilarejos próximos de Hama, como Al-Qabir e Maazarif, distantes cerca de 20 km da cidade. "Os shabihas invadiram o vilarejo e mataram dezenas de pessoas, entre eles mulheres e crianças", disse o Observatório Sírio de Direitos Humanos, outra entidade opositora síria. "O Observatório Sírio de Direitos Humanos pede aos monitores internacionais que visitem o local imediatamente. Eles não podem esperar até amanhã para investigar esse massacre."

A estratégia, ainda de acordo com grupos de oposição, é semelhante à utilizada em Hula. O massacre ocorreu em meio à presença de 300 monitores da ONU na Síria que verificam o frágil cessar-fogo mediado por Annan, que deveria estar em vigor desde abril. Na segunda-feira, os rebeldes disseram que abandonarão a trégua, em razão dos sucessivos massacres de civis cometidos por Assad.

"Os monitores não devem se eximir com o argumento de que devem verificar apenas o cessar-fogo", acrescentou o Observatório. "Muitos massacres ocorreram durante a presença deles na Síria."

Confrontos. Mais cedo, grupos opositores tinham denunciado a morte de seis civis em Kafr Sita, um outro vilarejo próximo a Hama. Os corpos foram calcinados.

Em Latakia, no litoral sírio, 11 civis morreram em confrontos entre o Exército Sírio Livre e forças de Assad. A região tem sido palco de frequentes choques entre dissidentes e governistas.

De acordo com o comandante rebelde em Latakia, Abdelaziz Kanan, tropas de Assad bombardearam os vilarejos de Al-Hafa, Yabal e Akrad, onde se teme que massacres similares ao de Hula ocorram. Ainda segundo o militar rebelde, as forças leais a Assad estão usando helicópteros, tanques, granadas de morteiros e franco-atiradores na ofensiva. Ele também acusou o Exército de queimar florestas próximas do vilarejo para impedir a fuga de civis para a Turquia.

Pressão. O aumento da violência contra civis na Síria nas últimas semanas elevou a pressão diplomática contra Assad. Países europeus e os EUA retiraram na semana passada seus embaixadores de Damasco. Em resposta, o regime declarou representantes diplomáticos de países ocidentais personas non gratas no país.Ontem, Assad nomeou um novo primeiro-ministro, Riad Hijab, numa tentativa de mostrar à comunidade internacional que promove uma reforma de seu gabinete. Segundo a ONU, 10 mil pessoas morreram na Síria em 14 meses de revolta. / EFE e REUTERS

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