Forças de Israel matam palestino perto da fronteira

Os dois lados acusaram-se de ter violado o cessar-fogo, mas enviaram sinais claros de que o incidente não vai pôr fim a acordo

ROBERTO SIMON, ENVIADO ESPECIAL / GAZA, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2012 | 02h04

O frágil cessar-fogo entre Israel e o Hamas teve ontem seu primeiro teste, depois que soldados israelenses mataram a tiros um palestino que teria se aproximado da fronteira. A facção islâmica e o governo de Israel trocaram acusações de violação da trégua, mas ao mesmo tempo enviaram sinais claros de que, apesar do episódio, o acordo que pôs fim a oito dias de violência na região continua a valer.

Em Gaza, a notícia da morte do jovem palestino foi recebida com temor. Mas a vida parecia seguir normalmente nas ruas do território, que durante a ofensiva israelense ficaram desertas. O tradicional mercado da sexta-feira atraiu milhares de pessoas, a despeito da chuva e tratores continuavam a trabalhar nos locais destruídos pela aviação de Israel.

Segundo o Exército israelense, um grupo de pessoas avançou em direção à fronteira em Khan Younis, apesar de disparos de advertência efetuados pelos militares. Autoridades médicas de Gaza informaram que, além do palestino morto - identificado como Anwar Qdeih, de pouco mais de 20 anos - dez pessoas ficaram feridas.

Inicialmente, as rádios de Gaza anunciaram que Israel fizera uma incursão terrestre que resultou na morte de Qdeih e na prisão de "outro agricultor de Khan Younis". Mas a família do jovem disse à agência Reuters que ele e um grupo de amigos tentaram colocar uma bandeira do Hamas na grade que isola o território palestino de Israel.

O governo israelense e o Hamas trocaram acusações sobre quem teria desrespeitado a trégua. "Tentar ultrapassar a fronteira para entrar em Israel é violar o cessar-fogo", escreveu no Twitter a porta-voz do Exército israelense, Avital Leibovitch.

O premiê da facção islâmica, Ismail Haniyeh, pediu à população de Gaza que o cessar-fogo seja respeitado, enquanto Sami Abu Zhuri, porta-voz do Hamas, disse que levará o incidente ao conhecimento do Egito, mediador do acordo, "para que isso nunca mais aconteça". Segundo o documento firmado na quarta-feira pelos governos de Israel e de Gaza, o Cairo receberá reclamações sobre violações da trégua e investigará as acusações.

A região de Gaza e Israel viveram oito dias de violência até o anúncio da trégua, na quarta-feira. Forças israelenses mataram o chefe militar do Hamas, Ahmed Jabari, em resposta aos foguetes lançados do território palestino contra o sul de Israel. A morte de Jabari deu início a uma escalada nas hostilidades: de um lado, a aviação e a Marinha israelenses bombardearam mais de 1.500 alvos em Gaza; de outro, militantes lançaram centenas de projéteis contra o sul de Israel, além de mísseis e foguetes de longo alcance contra Tel-Aviv e Jerusalém. Mais de 160 palestinos e 5 israelenses morreram.

Ontem, Israel deteve na Cisjordânia um homem que estaria preparando um atentado. Um dia antes, 55 supostos integrantes do Hamas haviam sido presos pela Autoridade Palestina.

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