Forças de Kadafi ampliam ofensiva e retomam cidades do leste

Tropas leais ao ditador continuam combatendo rebeldes, que não conseguem mais avançar

Lourival Sant'anna, enviado especial

12 Março 2011 | 16h29

BENGHAZI - As forças leais ao ditador Muamar Kadafi continuam a avançar na direção leste da Líbia. De sexta para sábado as kataeb ("brigadas") leais ao coronel tomaram as instalações do complexo petroquímico de Ras Lanuf, 670 quilômetros a leste da capital, Trípoli. Durante a manhã deste sábado, 12, elas forçaram os combatentes rebeldes a recuar 20 quilômetros para leste, a um ponto equidistante entre Ras Lanuf e Al-Gayla.

 

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Debaixo de bombardeio aéreo, foguetes, disparos de tanques e de fuzis, muitos rebeldes fugiram para o deserto, ao sul. Durante a tarde, a cidade de Brega, 50 quilômetros mais a leste, também foi atacada. O local também é um estratégico terminal petrolífero líbio.

 

O coronel Bashir Abdul-Qadr, do Exército rebelde, disse à agência de notícias Reuters que os combatentes deixaram a refinaria não só por causa do intenso bombardeio, mas também por receio de explosão dos tanques de combustíveis. Pelo menos três tanques de petróleo cru explodiram na quarta-feira na Refinaria de Sidra, 5 km a oeste de Ras Lanuf, aparentemente atingidos por mísseis disparados por aviões.

 

Depois que os rebeldes tomaram Ras Lanuf, no dia 3, e avançaram para Bin Jawad, 45 quilômetros a oeste, as forças do governo reagiram. As tropas de Kadafi, chegaram a Bin Jawad com foguetes, tanques e apoio de helicópteros e aviões, e contiveram o avanço dos rebeldes rumo a Sirt, a cidade natal de Kadafi e reduto de sua tribo, situada no centro do território líbio. Desde então, os rebeldes não têm conseguido ganhos significativos.

 

Os confrontos na Líbia já ocorrem há quase um mês. Mesmo sob pressão interna e de outros países, Kadafi se recusa a negociar ou deixar o poder. Neste sábado, a Liga Árabe pediu formalmente que a Organização das Nações Unidas (ONU) imponha uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia, o que ajudaria os rebeldes. O órgão também reconheceu os insurgentes como os reais interlocutores internacionais líbios.

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