Forças de Kadafi anunciam cessar-fogo para primeira hora de domingo

Segundo governo, rebeldes poderiam ser beneficiados por anistia, prometida por Kadafi

Agência Estado e Efe

17 de março de 2011 | 11h35

TRÍPOLI - O Exército da Líbia anunciou nesta quinta-feira, 17, que irá interromper as operações militares a partir da primeira hora de domingo, a fim de dar aos rebeldes uma chance para que eles entreguem suas armas e se rendam.

 

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A agência indicou que o comitê tomou essa decisão para dar a oportunidade a esses "grupos terroristas armados" de "entregar as armas e receberem a anistia geral" prometida pelo líder Muamar Kadafi há poucos dias.

 

A "Jana" divulgou a informação em caráter urgente, algo raro na agência líbia, mas não forneceu mais detalhes sobre os motivos que levaram o Comitê a adotar essa medida.

 

Inspirado pelos casos de Tunísia e Egito, que resultaram na deposição dos presidentes desses países, o levante na Líbia começou no dia 15 de fevereiro, com protestos contra o governante Muamar Kadafi. As forças oficiais, porém, têm retomado várias posições dos rebeldes nos últimos dias.

Os ataques das forças de Kadafi contra os civis do país podem ser um crime contra a humanidade, afirmou hoje o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen. "É absolutamente revoltante ver o regime líbio sistematicamente atacar sua própria população civil. Esses atos podem equivaler a crimes contra a humanidade", afirmou Rasmussen durante uma visita à Polônia, um país membro da Otan.

 

ONU

 

A decisão do regime de Kadafi de cessar as operações militares contra os rebeldes - que aumentaram nos últimos dias - poderia estar relacionada aos pedidos da ONU pelo fim da violência na Líbia.

 

O enviado especial das Nações Unidas à Líbia, o ex-chanceler jordaniano Abdelilah al-Khatib, viajou para Trípoli há poucos dias para pedir às duas partes que adotassem um cessar-fogo imediato.

 

Na quarta-feira, em visita à Guatemala, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também solicitou ao regime líbio "pôr fim à morte" de civis, enquanto aguardava a decisão do Conselho de Segurança sobre a possível imposição de uma zona de exclusão aérea sobre o país.

 

"Ontem falei daqui com o ministro das Relações Exteriores líbio e lhe pedi o fim das hostilidades", disse Ban aos jornalistas.

 

O secretário-geral indicou que, junto à futura decisão do Conselho de Segurança da ONU - que continua reunido em Nova York nesta quinta-feira para adotar uma resolução sobre a Líbia -, continuará "lutando" para que o regime de Kadafi detenha os ataques contra a população civil.

 

"Matar habitantes líbios desarmados, que pedem uma autêntica liberdade, é totalmente inaceitável, é um crime contra a humanidade, e aqueles que o cometem devem responder na justiça", advertiu Ban.

 

 

 

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