Forças de líder opositor chegar à maior cidade da Costa do Marfim

Soldados fieis a Alassane Ouattara já dominam maior parte do país, mas Laurent Gbagbo se recusa a deixar o poder.

BBC Brasil, BBC

31 Março 2011 | 13h27

O general Mangou, aliado de Gbagbo, pediu abrigo à África do Sul

Na Costa do Marfim, forças leais ao líder de oposição Alassane Ouattara chegaram nesta quinta-feira à cidade mais populosa do país, Abidjan, depois de avançar pelo país e tomar várias cidades nos últimos dias.

Ouattara é reconhecido internacionalmente como o vencedor das eleições presidenciais de novembro no país africano, mas o presidente que tentava a reeleição no pleito, Laurent Gbagbo, se recusou a reconhecer a derrota e continua no poder.

Em uma declaração divulgada pela TV do país, Ouattara pediu que as tropas leais a Gbagbo se juntem às forças da oposição para evitar sofrimento.

Os novos desdobramentos ocorreram no mesmo dia em que o governo da África do sul revelou que o chefe do gabinete militar marfinense, general Phillippe Mangou, buscou refúgio com sua família na embaixada sul-africana em Abidjan - num sinal do crescente isolamento de Gbagbo.

Avanço opositor

Os combatentes leais a Ouattara avançaram vindos do norte do país e já capturaram a capital marfinense, Yamoussoukro, e o porto de San Pedro, considerado estratégico por concentrar as exportações de cacau, o principal produto da economia do país.

O correspondente da BBC em Yamoussoukro John James diz que os opositores já dominaram quase toda a capital e que Abidjan parece ser a única área do país que manteve sua lealdade para Gbagbo. Isso aumenta seu isolamento e diminui suas chances de permanecer no poder.

Já há relatos de confrontos entre as forças leais a Gbagbo e a Ouattara na periferia de Abidjan e o clima seria de tensão na cidade.

Gbagbo refuta os resultados do pleito de novembro, o que gerou violência e uma grave crise política no país.

Desde que a crise começou, em dezembro, a violência na Costa do Marfim forçou o deslocamento de 1 milhão de pessoas e levou à morte de ao menos 473 marfinenses, segundo a ONU.

Na quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU votou pela imposição de sanções aos aliados de Gbagbo, que se somam a restrições econômicas já impostas pela União Europeia e por grupos africanos.

A resolução da ONU impõe um veto a viagens dos membros do círculo de Gbagbo e o congelamento de bens do líder e de sua família.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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