AFP / FATHI NASRI
AFP / FATHI NASRI

Forças de segurança da Tunísia encontram armamentos modernos e depósito de armas

Governo de Marrocos condenou o atentado e ressaltou a necessidade de uma maior coordenação regional e internacional na luta contra o terrorismo

O Estado de S. Paulo

08 de março de 2016 | 14h19

TÚNIS - Forças de segurança da Tunísia encontraram três depósitos de armas e um caminhão carregado com grande quantidade de armamento moderno graças aos interrogatórios dos jihadistas detidos durante a tentativa de ataque à cidade de Ben Guerdane, revelou nesta terça-feira, 8, o primeiro-ministro tunisiano, Habid Essid. O atentado provocou a morte de 53 pessoas.

Em entrevista coletiva, ele afirmou que o sinal para o início do ataque de segunda-feira foi dado desde o minarete de uma mesquita próxima ao quartel às delegacias atacadas, o que mostra o grau de implantação dos jihadistas na região, próxima à fronteira com a Líbia.

"O alvo deste ataque era tomar a caserna, os postos de segurança e a Guarda Nacional para controlar a cidade e estabelecer um emirado", afirmou.

"Os detidos forneceram informações essenciais, que permitiram localizar três depósitos de diferentes armas e de um caminhão carregado de armamento sofisticado", ressaltou.

Essid atualizou o número de vítimas mortais após o ataque para 55. Testemunhas disseram que ele durou várias horas no bairro onde se concentram os edifícios de Segurança de Ben Guerdane, considerada a capital do tráfico no sul da Tunísia.

No tiroteio morreram "36 terroristas, 12 membros das forças de Segurança e 7 civis; 7 terroristas foram detidos", detalhou.

"A operação é certamente uma vitória, mas não é mais do que uma batalha mais na guerra" contra o jihadismo e o Islã radical de influência wahhabista-saudita, avaliou o premiê tunisiano. É um triunfo que enche o moral das forças de segurança e das unidades do Exército tunisiano, e que humilha os terroristas, que agora sabem muito bem que a "Tunísia não está a seu alcance", ressaltou Essid.

O chefe do Executivo agradeceu, mais uma vez, a coragem e o esforço dos moradores de Ben Guerdane, que ajudaram as forças de segurança a fracassar um ataque que representaria uma ameaça para todo o país.

Ben Guerdane, uma das cidades da Tunísia com mais vínculos com o Islã radical, amanheceu nesta terça-feira com uma tensa calma após uma noite em que, segundo as autoridades, o toque de recolher foi respeitado.

Testemunhas disseram que a maior parte das lojas não abriram suas portas e que nas ruas há mais policiais e militares do que habitantes.

Os acessos ao sul continuam restritos, com dezenas de postos de controle levantados em todas as estradas e patrulhas pelas cidades na fronteira, enquanto as passagens fronteiriças de Ras Jedir e Dehiba, que conectam à Líbia, permanecem fechadas.

Apenas a linha aérea regular funciona, que liga diferentes cidades da Líbia com o aeroporto tunisiano de Monastir, no centro do país.

Reação. O governo do Marrocos condenou "nos termos mais enérgicos", o ataque terrorista ocorrido em Ben Guerdane e ressaltou a necessidade de uma maior coordenação regional e internacional na luta contra o terrorismo.

Um comunicado do Ministério das Relações Exteriores do Marrocos publicado na segunda-feira expressou solidariedade com o povo e o governo da Tunísia "diante deste ato criminoso abjeto com o qual seus autores buscam atacar a estabilidade do país e semear o terror".

Sendo o terrorismo uma ameaça à segurança e à paz internacional, acrescenta a nota, o Marrocos destaca a necessidade de "intensificar e coordenar os esforços regionais e internacionais para combater a ameaça jihadista".

O governo do Marrocos colabora com os serviços de segurança de vários países europeus - França, Espanha, Bélgica, Holanda, entre outros - no combate ao terrorismo, mas essa parceria não existe com o principal país da região do norte da África: a Argélia. /EFE

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