Forças de segurança reprimem manifestação no Irã

Milhares de iranianos se reuniram hoje para protestar no centro de Teerã, porém a polícia agiu rápido para dispersar a manifestação. Nos últimos dias, líderes opositores pediram permissão para realizar hoje manifestações de solidariedade aos tunisianos e egípcios, que recentemente derrubaram seus próprios governos. O protesto é a primeira grande demonstração de força da oposição no país em mais de um ano. A polícia usou gás lacrimogêneo para conter os manifestantes na praça Enghelab e na praça imã Hossein, bem como em ruas próximas.

AE, Agência Estado

14 Fevereiro 2011 | 14h53

Alguns dos manifestantes entoaram gritos de apoio a Mir Hossein Mousavi, um líder oposicionista. "Morte ao ditador", disseram eles, referindo-se ao presidente linha-dura Mahmoud Ahmadinejad. Testemunhas afirmaram que membros das forças de segurança também perseguiam manifestantes pelas ruas. A mídia estrangeira está proibida de cobrir protestos no Irã. As forças de segurança temem que as manifestações em apoio a tunisianos e egípcios se transformem em ato contra o regime iraniano.

Mais de quatro mil pessoas se reuniram na praça Azadi, centro de Teerã, e mais estavam chegando. Dezenas de policiais em motocicletas circulavam a praça, segundo testemunhas, sites opositores e mensagens publicadas na internet. Segundo testemunhas, por volta do meio da tarde multidões se dirigiam para o centro de Teerã. As pessoas marchavam silenciosamente em grandes grupos na direção da praça Azadi. Lojas e restaurantes ao longo do percurso foram fechados e forças de segurança circundavam o campus da Universidade de Teerã, evitando que os estudantes entrassem no local.

Milhares de estudantes também se aglomeraram no campus da Universidade Sharif, em preparação para seguir para a praça. Um ativista publicou num blog que, até aquele momento, a polícia não havia impedido os estudantes de participar das manifestações. A principal rota dos protestos parece seguir pela avenida Enghelab, uma das vias mais longas e largas de Teerã.

Testemunhas disseram que as forças de segurança presentes nas ruas se limitavam a policiais à paisana. Durante os protestos realizados no ano passado e em 2009, forças de segurança em trajes civis, dentre elas membros da milícia Basij, foram às ruas. Na manhã de hoje eles não foram avistados pelas testemunhas. No meio da tarde, esses policiais à paisana estavam em várias ruas da capital, desviando o tráfego e impedindo o acesso - a pé e de carro - à praça Azadi. As estações de metrô das proximidades foram fechadas.

Os líderes opositores Mousavi e Mehdi Karoubi estavam em prisão domiciliar e o contato telefônico com suas casas, tanto por linha fixa como por celular, havia sido cortado, informaram sites opositores. Carros da polícia bloqueavam a entrada das ruas onde eles moram e chegaram a impedir que a mulher de Mousavi saísse de casa.

Pouco depois da controversa eleição presidencial que reelegeu Mahmoud Ahmadinejad em junho de 2009, as autoridades proibiram a imprensa livre e reuniões contra o governo, o que torna difícil estimar a quantidade de pessoas que participam de manifestações contra o regime. Líderes opositores pediram ao povo que retornasse às ruas após a renúncia, na sexta-feira, do presidente do Egito, Hosni Mubarak. Os mais importantes líderes da oposição, Mousavi e Karoubi, divulgaram ontem um comunicado mantendo a convocação para as manifestações de rua, apesar das ameaças do governo de que tomaria medidas coercitivas.

Na noite de ontem, pela primeira vez em meses, ouviram-se gritos, dos telhados das casas em Teerã, da frase "Deus é grande" e "Morte ao ditador", como mostram vídeos colocados na internet. Os gritos, comuns durante a revolução iraniana mais de 30 anos atrás, foram retomados durante os protestos em 2009 e 2010, após a contestada reeleição de Ahmadinejad. Na ocasião, os protestos foram duramente reprimidos pelo governo. As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

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