Forças do CNT cercam Bani Walid, reduto de Kadafi

Combatentes do governo interino líbio estavam do lado de fora da cidade de Bani Walid, de onde os moradores fugiam temendo os confrontos com forças ligadas ao coronel Muamar Kadafi.

AE, Agência Estado

13 Setembro 2011 | 12h06

As negociações para a rendição dos seguidores de Kadafi continuam a ser realizadas por mediadores, mas "até agora não há nenhum resultado", disse Abdullah Kenshil, negociador-chefe do Conselho Nacional de Transição (CNT), o organismo de governo interino da Líbia.

"Eles querem continuar a combater e ontem bombardearam áreas residenciais", afirmou ele.

Citando informações fornecidas por moradores em fuga, Kenshil disse que a situação humanitária em Bani Walid - um dos últimos redutos de Kadafi - é difícil e há falta de água, eletricidade e comida.

Em razão da "forte resistência" dos homens leais a Kadafi, os combatentes do CNT retrocederam alguns quilômetros da entrada da cidade e nesta terça-feira foram vistos com novas armas, dentre elas artilharia leve e foguetes antitanque.

"Nós recebemos novas armas e combatentes de áreas mais ricas" para ajudar os soldados do CNT em Bani Walid, disse um comandante de campo que não quis ser identificado.

O assalto do CNT para "liberar" a cidade, localizada a 180 quilômetros a sudoeste de Trípoli, ficou paralisada por três dias, após o fim do prazo final estabelecido para que os homens leais a Kadafi se rendessem.

A área estava calma nesta terça-feira, a não ser por trocas intermitentes de fogo e pelo som de aviões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que sobrevoavam a região. Mas temendo o pior, moradores da cidade continuavam fugindo.

Desde segunda-feira, veículos levando famílias têm deixado a cidade, cruzado bloqueios estabelecidos por combatentes do CNT e seguindo na direção de Trípoli.

"Dezenas de carros deixaram a cidade nesta manhã", disse o combatente Bashir Ibrahim Ali, de 25 anos, que estava numa barragem a cerca de cinco quilômetros de Bani Walid. Um repórter da agência France Presse contou pelo menos 15 carros que passaram pela barragem no período de uma hora.

Abdul Motleb, morador de 42 anos de Bani Walid, disse que "a situação está estável no momento, mas as pessoas estão assustadas".

Segundo ele, a rádio pró-Kadafi "está ameaçando as pessoas desde de manhã" com mensagens que desencorajam os combatentes do CNT a lançarem um ataque por temer que civis sejam atingidos.

Mas o coronel Abdallah Abu Assarah, graduado comandante militar na frente de batalha, atribuiu a dificuldade de lançar um ataque contra Bani Walid à "feroz resistência" de homens leais a Kadafi e à topografia local, que tem deserto, vilas e montes. "A maioria das forças e mercenários de Kadafi estão em Bani Walid", afirmou ele. As informações são da Dow Jones.

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