AFP PHOTO / Omar haj kadour
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Forças do governo sírio retomam ataques em área controlada por rebeldes em Alepo

Cerca de 6 mil civis já foram deslocados da região; autoridades sírias haviam sido acusadas de atrasar a implementação do acordo para a saída dos rebeldes da cidade

O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2016 | 08h49

BEIRUTE - Forças do governo sírio retomaram os ataques contra distritos tomados por rebeldes no leste de Alepo nesta quarta-feira, 14, que foram interrompidos após cerca de meia hora, disseram nesta autoridades rebeldes sírias e testemunhas.

"Há bombardeios ferozes por forças do regime na Alepo sitiada, usando artilharia, tanques e morteiros", disse uma autoridade da facção Jabha Shamiya.

O diretor do Observatório Sírio para Direitos Humanos (OSDH), Rami Adbulrahman, disse: "O som de uma explosão foi ouvido em áreas controladas por facções (rebeldes). Acredita-se que foi causada por artilharia disparada por forças no regime na área". Uma testemunha civil disse que o ataque durou cerca de meia hora.

Um acordo de cessar-fogo mediado pela Rússia, aliado mais poderoso do presidente sírio, Bashar Assad, e pela Turquia terminou com anos de confrontos na cidade e deu ao líder sírio a maior vitória até o momento em mais de cinco anos de guerra.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, disse que a resistência rebelde deve acabar nos próximos dias.

Deslocamentos. Somente nas últimas 24 horas, quase 6 mil civis foram deslocadas das zonas controladas pelos rebeldes no leste de Alepo, informou o Centro Russo para a Reconciliação (CRC) na República Árabe-Síria.

Um porta-voz do CRC detalhou à agência de notícias Interfax que o grupo de deslocados conta com 5.992 pessoas, das quais 2.210 são crianças. "Todas elas foram amparadas em centro humanitários, onde receberam comida quente e atendimento médico", acrescentou.

Além disso, no mesmo período, um total de 366 guerrilheiros depuseram as armas e saíram para a parte ocidental da cidade. "Por decisão do presidente da Síria, 329 guerrilheiros foram anistiados", acrescentou o porta-voz do CRC.

No início desta quarta-feira, autoridades da Síria foram acusadas de estarem atrasando a implementação do acordo para a saída dos rebeldes que ficam em Alepo, segundo o OSDH.

Citando fontes na área sob o controle das tropas do governo na cidade, a ONG disse que com esta medida, as autoridades sírias e as milícias que as apoiam estariam enviando uma mensagem para Rússia de rejeição sobre um acordo feito entre Moscou e Ancara, sem consultar a Síria.

A fonte acrescentou que os apoiadores de Assad estão inclinados a uma solução militar sem permitir a saída dos insurgentes. Enquanto isso, dezenas de ônibus esperam na estrada de Al Ramusa, no sul de Alepo, para realizar a saída dos rebeldes. / REUTERS, EFE e AFP

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