Forças do Iêmen atacam a Al-Qaeda e deixam 34 mortos

Outros 17 militantes foram detidos na operação; país tem enfrentado problemas com os insurgentes

Agência Estado e Associated Press,

17 de dezembro de 2009 | 16h40

Forças de segurança iemenitas atacaram vários esconderijos e campos de treinamento da Al-Qaeda nesta quinta-feira, 17, matando pelo menos 34 militantes, dentre os quais quatro futuros homens-bomba que planejavam realizar ataques dentro o país e no exterior. Pelo menos 17 militantes foram detidos.

 

O ataque realizado por forças iemenitas, que estão sob pressão americana para agir mais vigorosamente contra a rede terrorista em seu território.

 

País pobre do sudoeste da península arábica, o Iêmen tem lutado com a crescente presença da Al-Qaeda em suas montanhas e desertos, bem como seu próprio extremismo islâmico.

 

Os militantes da Al-Qaeda, dentre eles combatentes que retornam do Afeganistão e do Iraque, estabeleceram santuários em meio a várias tribos iemenitas, particularmente em três delas que fazem fronteira com a Arábia Saudita, região conhecida como "triângulo do diabo" por causa da forte presença militante, segundo autoridades iemenitas.

 

As operações desta quinta-feira tiveram como objetivo atingir uma área da Al-Qaeda não muito longe da capital, Sanaa, e na província de Abyan, ao sul.

 

No sul, ataques aéreos seguidos por operações em terra tiveram como alvo um campo de treinamento onde 30 militantes morreram, disse Saleh el-Shamsy, oficial de segurança da província de Abyan.

 

Outros funcionários de segurança e várias testemunhas disseram que civis também foram atingidos pela ofensiva do governo. Agentes de segurança disseram que 52 pessoas foram mortas, das quais sete eram conhecidas em suas comunidades como pertencentes à Al-Qaeda.

 

Os ataques aéreos atingiram casas civis e os soldados invadiram outras, confundindo-as com esconderijos da Al-Qaeda, afirmaram os agentes de segurança. Os corpos de sete mulheres e crianças foram retirados dos escombros, disse Mohammed Saleh al-Kathimi, que testemunhou a retirada.

 

Outras testemunhas falaram em condição de anonimato por temerem represálias. Os oficiais também pediram anonimato, porque não têm autorização para falar sobre o assunto. Dois hospitais da área relataram ter recebido 26 civis feridos, a maioria mulheres e crianças.

 

Nos confrontos ao nordeste da capital, um distrito chamado Arhab, forças do governo mataram quatro futuros suicidas e detiveram 17 militantes, informou o Ministério do Interior. "Esse indivíduos (os suicidas) planejavam atacar escolas e locais de interesse do governo no país e no exterior", revelou o Ministério sem maiores detalhes.

 

O Iêmen tem um fraco governo central com pouco controle sobre as montanhas e desertos do país. Com muitas áreas onde não há o domínio da lei, fácil acesso a armas de fogo e pobreza extrema, o Iêmen se tornou uma escolha segura para integrantes da Al-Qaeda.

 

Há anos o governo tem cooperado de perto com os EUA na luta contra a Al-Qaeda, embora seus esforços tenham sido prejudicados por considerações políticas e tribais.

 

Além disso, o Iêmen tem uma localização estratégica. Está próximo de alguns dos mais importantes produtores de petróleo do mundo, como Arábia Saudita, e perto da Somália, onde se chega cruzando o Golfo de Áden, um país ainda mais tumultuado onde os EUA afirmam que militantes da Al-Qaeda tem aumentado suas atividades.

 

O Iêmen também foi palco do mais dramático dos ataques pré 11 de setembro realizado pela Al-Qaeda. No ano 2000, um ataque suicida contra o destroier USS Cole matou 17 marinheiros americanos.

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