Forças do Sudão atacam campo de refugiados em Darfur

Forças do governo sudanês atacaram um dos maiores campos de refugiados de Darfur na madrugada de hoje, matando dezenas de civis, segundo rebeldes e uma testemunha. As Nações Unidas informaram ter recebido relatos de que veículos da polícia sudanesa cercaram o campo Kalma, no sul de Darfur, e que os ataques subseqüentes teriam causado "ferimentos e mortes de civis". A Organização das Nações Unidas (ONU) não forneceu o número de mortos.Em seu relato do ataque, a rádio Miraya, operada pela ONU, informou, citando um porta-voz do campo, que 48 pessoas morreram. Horas depois, centenas de refugiados realizaram protestos contra o governo sudanês. Pelo menos 65 feridos - mais da metade deles mulheres e crianças - foram atendidos em uma clínica próxima administrada pelos Médicos Sem Fronteira, informou o grupo em um comunicado. A ONU afirmou estar "bastante preocupada" com a situação no campo de refugiados.Um morador do campo, Mandela Abdullah Mohammed, disse por telefone ter contado 32 corpos, incluindo várias mulheres e crianças. Segundo ele, mais de 50 veículos "cheios de homens armados trajando uniformes da polícia e das forças de segurança nos atacaram com granadas propelidas por foguete e metralhadoras". Funcionários do governo não responderam aos pedidos para que comentassem as denúncias.A operação ocorre no momento em que o presidente sudanês, Omar al-Bashir, enfrenta acusações de genocídio por supostamente apoiar ataques contra africanos étnicos na instável região oeste do país. Cerca de 300 mil pessoas morreram e outras 2,5 milhões tiveram que deixar suas casas desde o início da rebelião em Darfur, em 2003. A Corte Penal Internacional deve decidir nos próximos meses se emite um mandado de prisão contra Bashir.Cerca de 90 mil pessoas vivem em Kalma, campo situado a 25 quilômetros da capital sul de Darfur, Nyala. Segundo Yahia Bolad, porta-voz do Movimento de Libertação do Sudão, os soldados sudaneses invadiram o campo e imediatamente começaram a disparar em civis. Bolad afirmou que cerca de 50 moradores morreram e outros 100 ficaram feridos. A informação não pôde ser verificada por fontes independentes.

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