Forças especiais operam no Afeganistão há duas semanas

Dois dias depois dos ataques terroristas contra o World Trade Center e o Pentágono, e apenas horas depois de o secretário de Estado, Colin Powell, ter apontado o dissidente saudita Osama Bin Laden como o principal suspeito da autoria intelectual dos atentados, forças especiais da Inglaterra e dos Estados Unidos já estavam em seu encalço no Afeganistão.Divididos em equipes de três a cinco soldados, os comandos penetraram no sudoeste do território afegão em helicópteros Blackhawk MH-60 a partir do Paquistão - segundo "fontes oficiais" paquistanesas e americanas citadas hoje pelo USA Today. De acordo com as mesmas fontes, além dos integrantes das forças especiais, unidades da 101ª e da 82ª Divisões aerotransportadas do exército dos EUA chegaram no dia 13 à cidade paquistanesa de Quetta e montaram uma central de comando na área.O presidente George W. Bush evitou hoje comentar a informação durante breve encontro com repórteres, quando recebia o rei Abdullah, da Jordânia, na Casa Branca. O presidente disse que não "colocaria em risco nenhuma missão que nós podemos estar planejando". Mas "não se enganem", acrescentou. "Estamos dando buscas (a Bin Laden)".Bush disse que as forças militares convencionais "poderão ou não" ser usadas. "É muito difícil travar uma guerra de guerrilha com forças convencionais e nós compreendemos isso", afirmou. "Essa é a razão pela qual eu expliquei ao povo americano que a guerra contra o terrorismo será uma guerra diferente". O presidente americano disse que confiará mais em ações financeiras e de inteligência para identificar e monitorar terroristas e privá-los de seus recursos.De acordo com as fontes citadas pelo USA Today, os comandos concentraram suas buscas em cavernas e túneis na região de Kandahar, onde Bin Laden manteria operações. Sua missão é capturá-lo ou matá-lo - ou, se isso não for possível, mantê-lo onde for localizado e encomendar um ataque aéreo. O jornal também informou que a dificuldade em completar a missão nos primeiros dias levou os EUA a pedirem a ajuda de países aliados.Este teria sido um dos principais objetivos das conversas paralelas que o subsecretário de Defesa Paul Wolfowitz teve na sede a OTAN, em Bruxelas, na quarta-feira, depois de expor aos aliados os indícios e provas que Washington tem ligando Bin Laden aos ataques. Horas depois da reunião, na quarta-feira, a França manifestou-se pronta mobilizar forças para a guerra contra o terrorismo.Hoje, o ministro da Defesa do Canadá, Art Eggleton, sugeriu que comandos de seu país, pertencentes a uma unidade de elite formada por 250 homens conhecida como JTF2, de Força Tarefa Conjunta Dois, também estariam secretamente no Afeganistão. Perguntado se forças especiais canadenses estariam operando no Afeganistão, ele respondeu: "Nenhuma que eu possa falar a respeito".Um especialista em defesa ouvido pela Agência Estado disse que a presença de forças especiais americanas e inglesas no Afeganistão não deve surpreender. "Isso é parte obrigatória das tarefas de reconhecimento do terreno, escolha de alvos e coleta de informações que precedem qualquer ação militar de envergadura e não deve ser tomado como sinal do tipo de operação que está em preparação". Donald Shepper, um general reformado e especialista militar da CNN, disse que as ações de forças especiais neste momento são parte "do padrão militar".É significativo, em qualquer caso, que uma notícia sobre a presença de forças especiais americanas e inglesas no Afeganistão, com chancela oficial, tenha sido publicado apenas 24 horas depois de artigos em grandes jornais sugerirem falta de definição da administração Bush sobre a resposta militar aos atentados terroristas. Na quinta-feira, o Washington Post informou, em sua principal manchete, que um ataque ao Afeganistão não era iminente. No mesmo dia, o New York Times colocou em dúvida mesmo a existência de uma estratégia completa para ação ou ações de represália.A notícia do USA Today, que foi retomada e confirmada pela CNN junto a "altas fontes" da Casa Branca, tem também a peculiaridade de não ser exatamente nova. No final da semana, vários jornais da Inglaterra e a própria BBC chegaram a divulgar informações sobre a presença de comandos britânicos no Afeganistão e escaramuças com forças do Taleban, perto de Cabul. As autoridades de Londres não confirmaram nem desmentiram as informações, sob o argumento de que o governo não comenta questões operacionais.Um porta-voz do Pentágono, o vice-almirante Craig Quigley, deu a mesma resposta, hoje, sobre a notícia do US Today. "Não fornecerei nenhuma informação sobre operações", disse ele.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.