Forças especiais preparam-se para entrar no Afeganistão

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Pentágono) anunciou nesta quarta-feira que forças especiais aerotransportadas, aptas a realizar operações rápidas de infiltração, chegaram ao porta-aviões USS Kitty Hawk, no Oceano Índico, e estão se preparando para o desembarque no Afeganistão. O USS Kitty Hawk tem capacidade para abrigar 5.500 pessoas e mais de 75 aviões e helicópteros. Funcionários do Pentágono também confirmaram que o porta-aviões USS Theodore Roosevelt se uniu a outros três que já estão na região. Uma rádio iraniana assegurou, porém, que soldados norte-americanos já chegaram de helicóptero da fronteira paquistanesa nesta quarta-feira, entrando em uma área perto de Kandahar, cidade onde fica o quartel-general do Taleban, no sul do país. Enquanto continuavam os preparativos para a incursão terrestre as forças anglo-americanas prosseguiram nesta quarta-feira os pesados bombardeios aos locais de maior concentração de tropas, armas e munição do Taleban, com ênfase em Kandahar e Cabul, a capital. Uma bomba caiu, sem explodir, numa escola de Cabul, informou o porta-voz da ONU em Islamabad, Hasan Ferdous. "Não sabemos se as crianças estavam no edifício", disse Ferdous. Vários peritos afegãos a serviço da ONU foram enviados ao local para desarmar o explosivo. Um habitante de Kandahar assegurou que uma bomba foi jogada no bairro de Mudaf Chowk, uma das áreas mais povoadas da cidade, e destruiu duas casas e várias lojas. O Taleban denunciou a morte de pelo menos sete civis e ferimentos em 25 nos ataques desta quarta. Não há confirmação de fonte independente. Segundo as agências internacionais, para protegerem-se dos bombardeios - para os quais os EUA passaram a usar na terça-feira aviões AC-130H, que voam a baixa altitude e são conhecidos como "fortalezas voadoras? -, as forças do regime taleban ocupam casas nas áreas mais povoadas e se escondem nas montanhas ou mesquitas. Há rumores de que o líder do Taleban, mulá Mohamed Omar, tenha buscado abrigo numa mesquita na região de Kandahar. O primeiro-ministro Grã-Bretanha, Tony Blair, rejeitou nesta quarta-feira apelos feitos por várias organizações não-governamentais para que suspenda os ataques de modo a permitir a retomada da ajuda humanitária aos afegãos e evitar que mais gente morra de fome durante o inverno, prestes a começar na região. As forças de oposição ao governo afegão, unificadas na Aliança do Norte, continuam a aproximar-se da estratégica cidade de Mazar-i-Sharif, no norte do país, mas nesta quarta enfrentaram forte reação das tropas do Taleban, às quais se uniram centenas de militantes islâmicos de vários países. Líderes da aliança reconheceram que a milícia taleban está impondo feroz resistência ao avanço de seus homens. A Agência de Notícias Afegã AIP, ligada ao regime afegão e com sede em Islamabad, anunciou nesta quarta que a milícia taleban prendeu um estrangeiro, aparentemente um norte-americano ou britânico, e que ele "está fingindo ser mudo". Leia o especial

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