Nathan Howard/Getty Images/AFP
Nathan Howard/Getty Images/AFP

Forças federais ficarão em Portland até a polícia 'limpar de anarquistas' a cidade, diz Trump

Presidente americano tuitou dias depois do início da retirada de policiais federais do local, palco de protestos contra o racismo

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2020 | 13h15

PORTLAND - As forças federais dos Estados Unidos enviados para Portland, palco de fortes protestos, vão permanecer na cidade até que a polícia local possa concluir "a limpeza de anarquistas e agitadores", disse o presidente Donald Trump neste sábado, 1.º, no Twitter. 

O tuíte do republicano foi publicado depois que policiais federais começaram uma retirada programada da maior cidade do Estado de Oregon, abalada por fortes protestos contra o racismo e a brutalidade policial. Centenas de pessoas ocuparam as ruas do centro no início da manhã deste sábado. 

Um manifestante, que se identificou como Rudi, perguntou-se: "O que significa limpeza?" "Nada acontece que precise de limpeza ... sem tumultos, sem saques. Trump está apenas discursando para agitar sua base", disse o homem de 39 anos à AFP.

Um jornalista da AFP disse que o clima era calmo, sem a presença visível de agentes federais. A polícia de Portland liberou parques e rodovias do centro na sexta-feira 31, antecipando a retirada gradual das forças federais. 

O prefeito de Portland, o democrata Ted Wheeler, disse que a ação fazia parte do acordo de retirada. No Twitter, Wheeler agradeceu aos manifestantes pacíficos que "recuperaram o espaço que já foi palco de violência para compartilhar sua poderosa mensagem de reforma da justiça".

No início de julho, o governo Trump enviou agentes federais, muitos em uniformes de combate, para a cidade de 650 mil habitantes, após denúncias de vandalismo contra o tribunal federal e outros prédios públicos durante os protestos provocados pela morte do afro-americano George Floyd por um policial em 25 de maio em Minneapolis. 

Para Entender

O caso George Floyd

Homem negro de 46 anos foi morto por policial branco durante abordagem; desencadeados pelo assassinato, protestos contra o racismo e a violência policial eclodiram nos EUA e no mundo

Intervenção

A presença de forças inflamou a situação em Portland, especialmente depois que vídeos mostraram prisões de manifestantes por agentes em carros não identificados. 

Os democratas afirmaram que a intervenção se assemelha ao "estado policial" e foi uma decisão política para demonstrar aos eleitores que Trump é comprometido com a justiça e a ordem. 

O procurador-geral do país, Bill Barr, defendeu o recurso às forças federais e negou que seja politicamente motivado. "Após a morte de George Floyd, manifestantes violentos e anarquistas se aproveitaram de protestos legítimos para desencadear o caos e a destruição", disse Barr ao Comitê de Justiça do Congresso. 

Sob um acordo alcançado entre as autoridades do Oregon e o governo Trump na quarta-feira 29, as forças federais começaram a se retirar da cidade na quinta-feira 30. No entanto, sua retirada foi condicionada a que a polícia local garantisse a segurança dos prédios que abrigam as instituições que haviam sido objeto da raiva dos manifestantes. 

O secretário interino de Segurança Interna, Chad Wolf, alertou no início desta semana que a retirada dependia das condições de segurança melhorarem "significativamente". 

Na quinta-feira, Trump reiterou a necessidade de intervenção federal. "Estamos lidando com o governador e o prefeito e achamos que eles não sabem o que estão fazendo porque isso não deveria estar acontecendo há 60 dias", disse a jornalistas. "Não é nosso trabalho entrar e limpar as cidades. Isso deve ser feito pela polícia local", acrescentou Trump. / AFP

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