Yahya Arhab/Efe
Yahya Arhab/Efe

Forças iemenitas matam 20 durante protesto

Manifestantes estavam acampados em praça de Taiz, sul do Iêmen; durante ação, militares realizaram ataque aéreo em outra cidade

, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2011 | 00h00

SANAA

Fontes médicas informaram ontem que pelo menos 20 manifestantes foram mortos em Taiz, no sul do Iêmen, pelas forças de segurança do presidente Ali Abdullah Saleh, que há três meses responde com violência aos protestos que pedem sua deposição. Durante a ação, ocorrida entre a noite de domingo e a madrugada de ontem, militares leais ao presidente, no poder há quase 33 anos, realizaram um ataque aéreo em Zinjibar, também no sul do país.

De acordo com a agência Associated Press, um manifestante foi morto na capital iemenita, Sanaa, durante marcha ontem.

Segundo a rede de TV Al-Jazira, seis soldados de Saleh foram mortos e dezenas ficaram feridos a caminho de Zinjibar, aparentemente em uma emboscada realizada por rebeldes ligados a movimentos radicais islâmicos. Testemunhas contaram que, no domingo, cerca de 300 rebeldes ligados à Al-Qaeda haviam entrado na cidade.

Em Taiz, uma das primeiras cidades iemenitas a concentrar manifestações antigoverno, as forças leais a Saleh abriram fogo contra um acampamento de manifestantes. Segundo fontes médicas, além das mortes, os disparos causaram ferimentos em centenas de pessoas. Canhões de água e bombas de gás lacrimogêneo também foram usados para dispersar o protesto.

O médico Abdulkadir al-Gunaid contou à BBC que a intenção das autoridades parece ser encerrar por completo as manifestações concentradas na Praça da Liberdade. "Atiraram em pessoas e queimaram suas barracas. E, às 3 horas, levaram tratores e acabaram com tudo", afirmou.

Outro médico, Sadek al-Shugaa, responsável pelo hospital de campanha montado no local do acampamento, disse à Associated Press que as forças de Saleh atiraram contra a multidão indiscriminadamente. Outra fonte médica afirmou que alguns dos feridos foram atropelados pelos tratores de Saleh. "Foi um massacre", disse a ativista Bushra al-Maqtari à France Presse. / AP e AFP

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