Forças iraquianas e milícias xiitas rompem cerco do Estado Islâmico

Com o respaldo de bombardeios dos EUA, Iraque libera a cidade de Amerli, sitiada pelos jihadistas havia 2 meses

O Estado de S. Paulo

31 de agosto de 2014 | 17h52


BAGDÁ - Forças de segurança iraquianas, apoiadas por milícias xiitas e bombardeios dos EUA, romperam neste domingo, 31, dois meses de cerco à cidade de Amerli, 160km ao norte de Bagdá, por combatentes do Estado Islâmico (EI). O prefeito de Amerli, Adel al-Bayati, disse que as forças de segurança derrotaram os jihadistas no leste da cidade e combates ainda eram travados no norte.

A operação foi considerada uma vitória estratégica das forças iraquianas e das milícias, que viram o grupo radical sunita tomar quase um terço do território do Iraque nos últimos meses. “A batalha de Amerli foi uma vitória dourada conquistada pelas forças de segurança que estão combatendo os grupos terroristas no norte e no sul de Amerli”, disse o porta-voz militar, Qassim al-Attta.

Ele disse que Amerli foi o primeiro passo para a retomada da Província de Salahuddin, no norte do Iraque. “O próximo passo será ir liberando as áreas que ligam Amerli a Salahuddin”, disse Atta. “Nossas tropas se reunirão em Amerli para marchar até Tikrit”, acrescentou, referindo-se à cidade natal de Saddam Hussein capturada em junho. 

O avanço das forças iraquianas ocorreu em meio a ataques aéreos dos Estados Unidos contra posições do EI nas imediações da cidade e o envio de ajuda humanitária, lançada de aviões, aos moradores que havia dois meses estavam presos na cidade. O Pentágono disse que seus aviões bombardearam três Humvees, um tanque e outro veículo blindado que estavam em poder dos jihadistas, além de um posto de controle do grupo radical islâmico. 

Um combatente curdo no norte de Amerli afirmou que a atuação dos EUA foi essencial para pôr fim ao cerco. “Seria praticamente impossível sem os aviões americanos”, disse o combatente pershmerga. “Os bombardeios impediram que o EI se movimentasse livremente.”

Os moradores de Amerli manifestaram seu alívio. “Posso ver os tanques iraquianos patrulhando as ruas de Amerli agora. Estou feliz que tenham expulsado os terroristas islâmicos que ameaçavam nos matar”, disse Amir Ismael por telefone.

Moradores armados conseguiram se defender de ataques de combatentes do EI, que haviam cercado a cidade, e consideram a população turcomana xiita como apóstata. Mais de 15 mil pessoas permaneciam presas na cidade. 

Elas estavam ficando sem alimentos e remédios. No sábado, Estados Unidos, Austrália, França e Grã-Bretanha lançaram 40 mil litros de água potável e alimentos, segundo o Pentágono.

No norte de Amerli, milícias xiitas e combatentes curdos peshmergas também enfrentavam o EI. “Nosso objetivo é combater o EI e expulsar os terroristas”, disse um combatente das Brigadas da Paz, uma ramificação do Exército Mehdi, do clérigo Muqtada al-Sadr. 

Carro-bomba. Na cidade de Ramadi, oeste do Iraque, onde forças iraquianas vêm combatendo grupos sunitas liderados pelo EI desde janeiro, um suicida detonou um Humvee repleto de explosivos, matando 37 pessoas. A explosão, cujo alvo era uma construção não acabada de nove andares, matou 22 membros das forças de segurança e 15 civis, disseram fontes médicas e da polícia de Ramadi, no oeste da Província de Anbar. O prédio era usado como um quartel-general do Exército e da polícia. Ramadi, 115 km a oeste de Bagdá, e a cidade de Falluja têm enfrentado confrontos entre os jihadistas do EI e as forças de segurança desde janeiro.

Após intensos combates, as forças curdas retomaram o controle de 70% da estratégica localidade de Zemar, no norte do Iraque. O avanço só não foi maior em razão de minas colocadas em algumas estradas, além de franco-atiradores. A Alemanha anunciou no domingo que está enviando armamento para os combatentes curdos, suficiente para armar 4 mil peshmergas. / REUTERS, AP e AFP

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