Karim Sahib / AFP
Karim Sahib / AFP

Forças iraquianas reconquistam cidade antiga de Nimrud

Sítio arqueológico situado 30 km ao sul de Mossul estava nas mãos dos extremistas do Estado Islâmico desde 2015; jihadistas destruíram sítio com tratores, picaretas e explosivos

O Estado de S. Paulo

14 de novembro de 2016 | 11h16

BAGDÁ - As forças iraquianas reconquistaram a cidade antiga de Nimrud, um sítio arqueológico situado 30 km ao sul de Mossul, no norte do país, e em parte destruído pelo grupo Estado Islâmico (EI) desde sua instalação no Iraque - anunciou o Exército neste domingo, 13.

"Unidades da 9ª divisão blindada libertaram completamente Nimrud e hastearam a bandeira iraquiana nos prédios", segundo o comando das operações, em um comunicado. Essa reconquista faz parte da ampla ofensiva militar lançada em 17 de outubro passado por Bagdá para retomar Mossul, a segunda maior cidade do Iraque e último reduto do EI no país.

Na vizinha Síria, uma aliança curdo-árabe continua com sua operação para retomar Raqqa, o reduto dos extremistas, com a ajuda da coalizão internacional liderada por Washington. Os Estados Unidos também apoiam a ofensiva em Mossul.

"As localidades de Al-Nomaniyah e de Al-Nimrud e as ruínas de Nimrud foram recapturadas", anunciou o general de Brigada da 9ª Divisão Saad Ibrahim. Localizada a 30 km de Mossul, às margens do rio Tigre, Nimrud é uma joia do império assírio fundada no século 13 antes de Cristo.

Na primavera de 2015, vídeos e imagens por satélite mostraram como os extremistas destruíram o sítio com tratores, picaretas e explosivos. Destruíram, então, o templo de Nabu, de 2.800 anos de idade, dedicado ao deus mesopotâmio da sabedoria e da escritura.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) "celebrou as informações de que Nimrud esteja de novo sob controle do governo iraquiano" e propôs dar todo seu apoio quando "a zona tiver sido estabilizada", afirmou seu porta-voz, George Papagiannis.

Destruições. Depois de se apropriar de extensos territórios no Iraque e na Síria, os radicais fizeram uma campanha de destruição de sítios arqueológicos, como Nínive, na periferia de Mossul, em Hatra, sudoeste de Nimrud, ou Palmyra, em território sírio.

O EI considera que esses monumentos são heréticos e contrários aos ensinamentos do islamismo sunita radical, apesar de não ter hesitado em levar alguns objetos em seus saques para vender no mercado negro.

Realizada pelo Exército e pelos peshmergas curdos, a ofensiva iraquiana avançou rumo a Mossul a partir do leste, do sul e do norte. E o Comando Antiterrorista Iraquiano (CTS) entrou pela periferia leste da cidade, travando duros combates com os radicais nos últimos dias.

"O EI está cercada por nossas forças pelo norte e pelo leste", afirmou o comandante do CTS, Muntadhar Salem. Assim como nos dias anteriores, dezenas de civis fugiam da cidade.

Enquanto isso, na Síria, as Forças Democráticas Sírias (FDS) conseguiram se aproximar 30 km de Raqqa. O comando dessa aliança curdo-árabe assegurou que suas tropas estão a ponto de cercar e isolar Raqqa, completando assim a primeira fase da operação lançada em 5 de novembro. O passo seguinte será atacar a cidade.

Os soldados do EI oferecem uma feroz resistência em Mossul e em Raqqa e, por isso, todos esperam uma longa batalha pela reconquista. / AFP

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