Forças islâmicas da Somália declaram guerra santa contra a Etiópia

Tropas da Etiópia dominaram uma cidade estratégica no alto de uma montanha na Somália nesta segunda-feira, junto com combatentes do governo, segundo os moradores do local e milícias islâmicas. Após a tomada da cidade, as forças islâmicas radicais da Somália declararam guerra santa contra a Etiópia."Eu insto a população somali a lutar uma guerra santa contra os etíopes", declarou o mais alto líder islâmico, xeque Sharif Sheik Ahmed, vestido em trajes de combate, e com um rifle AK-47 a tiracolo."Precisamos mais de ação do que de palavras", disse em breve coletiva de imprensa em Mogadício, a capital do país, tomada por suas tropas. Ele também colocou as forças islâmicas em alerta máximo. "Tropas etíopes intencionalmente invadiram a nossa terra, disse o xeque. "Nós os encontraremos em breve". O xeque Yusuf Indahaadde, chefe de segurança nacional do grupo islâmico, também declarou guerra santa e afirmou na mesma coletiva que 35 mil soldados etíopes estão no território somali, mas não deu mais detalhes. Observadores internacionais afirmam que as tropas etíopes não passam de centenas. "Essa é uma declaração de guerra", disse Indahaadde. "Nós não esperaremos mais, iremos defender a integridade da nossa terra". Enquanto o governo somali, fraco, porém reconhecido internacionalmente, nega publicamente que esteja sendo apoiado pelo Exército etíope, funcionários do governo, em condição de anonimato, dizem que aproximadamente seis mil soldados etíopes estão na Somália. O governo tem sido cada vez mais desafiado pelos combatentes islâmicos, que se opõem a qualquer intervenção externa, particularmente da Etiópia, tradicional rival da Somália. O chefe de uma milícia aliada ao movimento islâmico disse que três batalhões etíopes, com 750 homens, junto com milícias do governo, entraram em Bur Haqaba na segunda-feira de manhã, sem troca de tiros. Mohamed Ibrahim Bilial disse que seus milicianos se retiraram com a chegada dos etíopes. Bur Haqaba fica a 60 quilômetros de Baidoa, a única cidade que o governo ainda controla, e se encontra no alto de uma montanha, permitindo que as forças no local controlem a única estrada que vem de Mogadício, cidade controlada pelas forças islâmicas, e de Baidoa. Bur Haqaba havia sido tomada pelos islâmicos no final de junho.

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