EFE/Mohammed Saber
EFE/Mohammed Saber

Forças israelenses matam 3 manifestantes e deixam centenas de feridos na fronteira de Gaza

Ministério da Saúde palestino diz que 456 pessoas foram atendidas, das quais ao menos 178 foram feridas por munição real e 19 por balas de aço revestidas de borracha; chefe de direitos humanos da ONU critica Israel por uso de 'força excessiva' contra manifestantes

O Estado de S.Paulo

27 Abril 2018 | 18h04

GAZA - Soldados israelenses mataram a tiros três manifestantes e deixaram centenas de feridos na fronteira com a Faixa de Gaza nesta sexta-feira, 27, horas depois de o chefe de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) criticar Israel pelo uso de “força excessiva” contra manifestantes.

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No total, 456 palestinos foram atendidos por socorristas, dos quais pelo menos 178 foram feridos por munição real e 19 por balas de aço revestidas de borracha, dos quais dois estão em estado grave e outros dois em condições críticas, segundo o ministério da Saúde de Gaza.

Desde o começo dos protestos há cinco semanas, as tropas israelenses já mataram 41 palestinos e feriram mais de 5 mil desde que moradores de Gaza iniciaram protestos ao longo da cerca da fronteira em 30 de março para exigir o direito de retorno de refugiados palestinos.

Nesta sexta-feira tropas terrestres israelenses, entrincheiradas atrás de fortificações de seu lado da cerca da divisa de 40 quilômetros, dispararam munição real e gás lacrimogêneo contra manifestantes em cinco locais do lado de Gaza.

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Os distúrbios na fronteira começaram após a oração do meio-dia, quando aumenta o número de palestinos que comparecem aos cinco pontos de protesto distribuídos ao longo da cerca divisória com Israel. O porta-voz do Exército de Israel, Jonathan Conricus, disse que hoje foram registrados "sérios e irregulares" ataques contra a cerca de segurança instigados por líderes do movimento islamita Hamas.

Conricus, que estimou que entre 12 mil e 14 mil palestinos participaram dos protestos, afirmou entre "200 a 400 arruaceiros atacaram deliberadamente a cerca com coquetéis molotov e pedras" e a queimaram, e acrescentou que não será tolerado que o Hamas utilize civis e menores para se infiltrar.

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Os protestos ocorrem em um momento de frustração crescente para os palestinos, já que as perspectivas de criação de um Estado palestino independente parecem escassas. As conversas de paz entre Israel e os palestinos estão emperradas há vários anos, e os assentamentos israelenses nos territórios ocupados se expandiram.

Em um comunicado divulgado nesta sexta-feira, o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad al-Hussein, classificou a perda de vidas de “deplorável” e disse que um “número estarrecedor de ferimentos” foi causado pelo emprego de munição fatal. / REUTERS, EFE e AFP

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