Forças israelenses matam quatro palestinos

Um helicóptero israelense matou hoje num ataque com míssil um militante palestino e outros três militantes morreram em confrontos com tropas de Israel, horas depois que forças israelenses entraram numa vila da Cisjordânia e prenderam palestinos suspeitos de planejarem atentados suicidas. A operação foi realizada em meio a um alto alerta de segurança no centro de Israel por temores de ataques e enquanto o primeiro-ministro Ariel Sharon afirmava que o Estado judeu está pronto para negociar com os palestinos. Num assassinato seletivo, um helicóptero de combate israelense disparou um míssil num celeiro na cidade de Hebron, Cisjordânia, matando Jamil Jadallah, informou o Exército judeu. Testemunhas disseram que ele estava se escondendo no celeiro por saber que Israel o havia colocado na lista dos militantes mais procurados. Jadallah planejava um ataque contra Israel e esteve envolvido em dezenas de ataques em Hebron, segundo um comunicado do Exército judeu. Ele teria vínculos com altos membros do grupo militante Hamas responsáveis por anteriores ataques suicidas a bomba, entre eles o de 1º de junho contra uma discoteca de Tel Aviv, no qual morreram o atacante e 21 outras pessoas, garantiu o Exército. Ele teria escapado de celas palestinas quatro vezes desde que foi condenado pelo assassinato de dois israelenses em 1998, acrescentou o comunicado. Uma autoridade palestina, que pediu para não ser identificada, confirmou que Jadallah havia sido preso e escapou pela última vez há mais de um ano. O grupo militante Jihad Islâmica classificou a morte de um "desprezível assassinato" e jurou vingança. O Exército de Israel, entretanto, afirmou que Jadallah era um membro do Hamas. Dois policiais palestinos planejando com um grupo emboscar colonos judeus morreram depois que soldados israelenses os atacaram nas proximidades de Bazaria, cerca de 15 km ao norte de Nablus, disseram integrantes do movimento Fatah, do líder palestino Yasser Arafat. O Exército afirmou que estava investigando a notícia. Na cidade de Tulkarem, norte da Cisjordânia, um tanque israelense disparou contra um membro do Hamas, Abdullah Jaroshi, 38 anos, no momento em que ele saía de seu carro, que morreu num hospital, disseram membros do grupo. O Hamas acusou Israel de assassinar o militante e jurou vingá-lo. O Exército israelense não quis fazer comentários. Mais cedo hoje, tanques israelenses apoiados por helicópteros invadiram a cidade de Arrabeh, na Cisjordânia nos arredores de Jenin, e cercou a casa de um suposto militante, segundo testemunhas. Soldados judeus prenderam oito pessoas, três delas ativistas da Jihad Islâmica e um do Hamas, disse o prefeito Anwar Izzadin. O Exército informou ter prendido seis pessoas e acusou que uma delas seria integrante da Jihad Islâmica que estaria planejando um ataque suicida à bomba. Três palestinos ficaram feridos na troca de tiros que ocorreu enquanto os tanques invadiam a cidade, segundo o prefeito. Um soldado israelense ficou levemente ferido antes de as tropas se retirarem, afirmou o Exército judeu. A Jihad Islâmica assumiu responsabilidade por um ataque a tiros no domingo na cidade costeira de Hadera, no qual morreram quatro mulheres israelenses e os dois atacantes. Israel reclama que a Autoridade Palestina não está fazendo o suficiente para reprimir militantes palestinos e afirma que sua ocupação de cidades palestinas é necessária para cessar potenciais atacantes. Na terça-feira, o Departamento de Estado dos EUA renovou seu pedido para Israel retirar suas forças do território palestino. Sob forte pressão de Washington, Israel saiu de Belém e Beit Jalla no domingo. Mas suas tropas permanecem em quatro outras cidades. Forças israelenses entraram em cidades palestinas depois do assassinato em 17 de outubro do ultranacionalista ministro do Turismo Rehavam Zeevi, assumido pela Frente Popular para a Libertação da Palestina como uma vingança pela morte por Israel de seu líder Mustafa Zibri. O Estado judeu acusava Zibri de planejar ataques contra israelenses. Em 13 meses da intifada (levante) palestina, 734 pessoas já foram mortas no lado palestino e 191 no lado israelense. Em Gaza, tanques israelenses bombardearam prédios no campo de refugiados de Rafah, nas proximidades da fronteira com o Egito, incendiando três casas. Três pessoas ficaram feridas, uma criticamente, segundo médicos. Enquanto isso, o ministro do Exterior israelense, Shimon Peres disse que deve se reunir no fim de semana com Arafat na Espanha durante uma conferência econômica, no que seria o primeiro encontro de alto nível desde que as incursões começaram. Mas ele afirmou que não promoverá negociações na Espanha. "As negociações devem ser cuidadosamente preparadas, caso contrário elas criarão desapontamento ao invés de esperança", explicou. Peres disse na terça-feira que havia preparado o esboço de um novo plano de paz. Entrevistado pela televisão israelense, ele afirmou que o plano prevê a criação imediata de um Estado palestino "assim que possamos chegar a um acordo". Ele não comentou notícias do jornal Maariv dando conta que seu plano prevê a retirada de todos colonos israelenses da Faixa de Gaza. Peres disse que buscará sugestões de colegas antes de tornar o plano público. "Vou mostrá-lo primeiro para o primeiro-ministro", adiantou. Peres representa o moderado Partido Trabalhista na ampla coalizão do governo Sharon. O premier também fala de um Estado palestino, mas ele faria concessões muito menos generosas aos palestinos do que Peres e seus aliados.

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