Forças israelenses se preparam para ataque massivo no sul do Líbano

Milhares de soldados e tanques israelenses se concentraram próximos à fronteira norte do país nesta sexta-feira, horas depois de o Exército convocar milhares de reservistas, numa clara preparação para uma possível invasão massiva ao sul Líbano. Mais cedo, o Estado Judeu ampliou seu cerco militar ao pequeno país mediterrâneo, destruindo uma ponte estratégica da estrada que liga o Beirute a Damasco e bombardeando posições do Hezbollah no sul do país.No final da tarde, autoridades informaram que as Forças de Defesa israelenses estão prontas para uma ofensiva por terra contra posições do Hezbollah no sul do país, região de onde Israel se retirou há apenas seis anos, após 18 anos de ocupação.Longas linhas de tanques, tropas e veículos blindados se enfileiraram ao lado da fronteira, em alguns lugares próximos o bastante para visualizar as vilas e casas libanesas. Segundo fontes no comando do Exército, Israel lançará um "incursão limitada" na região em um futuro próximo.Em um sinal que reforça a eminência de uma ofensiva terrestre, uma rádio militar israelense alertou os moradores de 12 vilas libanesas próximas à fronteira para deixarem suas casas. Na quinta-feira, mensagens semelhantes foram distribuídas para as comunidades localizadas a até 30 quilômetros da fronteira. Segundo o chefe das Forças de Defesa de Israel, General Dan Halutz, os militares conduzirão "operações limitadas o quanto for necessário para ferir o terror que nos fere". A mensagem deixa em aberto o quão profunda será a incursão libanesa no sul do Líbano. "Lutaremos contra o terror onde o terror estiver, porque se não fizermos isso, ele lutará contra nós. Se não o alcançarmos, ele nos alcançará", disse Halutz em uma conferência de imprensa.Mais cedo nesta sexta-feira, a rádio pública de Israel anunciou que as autoridades militares israelenses mobilizariam mais 5 mil reservistas para a campanha militar contra o Hezbollah. No início desta semana, a mobilização de três batalhões já tinha sido anunciada, o que reforçaria as Forças de Defesa de Israel com mais de 2 mil soldados.Segundo fontes anônimas do Exército israelense, o objetivo das operações é destruir túneis e esconderijos do Hezbollah, assim como depósitos de armas e outras instalações. A declaração contradiz os relatos iniciais de que o objetivo de Israel era criar uma zona de segurança como a que isolou o sul do Líbano durante a ocupação israelense de 1982 a 2000. Ainda de acordo com a fonte, com as ações o Exército pretende tornar mais fácil para que o exército libanês se mova nas áreas inicialmente controladas pela guerrilha. Crise humanitáriaSegundo organizações multilaterais como a ONU e a Cruz Vermelha, a região submergiu em uma crise humanitária de grandes proporções. Por este motivo, os ministros do Exterior francês e alemão, assim como um alto diplomata britânico, estão a caminho da região. Ainda assim, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse nesta sexta-feira que qualquer promessa de um rápido cessar-fogo para as batalhas no Oriente Médio seria uma "promessa falsa". Ela está a caminho da região, mas antes passará por Roma, onde se encontrará com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e aliados dos Estados Unidos.ConflitoNo último dia 12, Israel iniciou uma ofensiva aérea e por mar contra supostos alvos do Hezbollah no Líbano, depois que militantes do grupo invadiram Israel e mataram e capturaram soldados israelenses. Mais de 300 libaneses morreram devido aos ataques, que durante esta semana se estenderam por terra em regiões na fronteira sul do país. Sete dos mortos são cidadãos brasileiros.Um dos fatores que agravam os confrontos é o lançamento de foguetes pelo Hezbollah contra cidades do norte de Israel. Desde o início da ofensiva israelense, centenas já aterrissaram em Israel, matando 16 civis e forçando os israelenses a se esconder em bunkers. Nesta sexta-feira, 11 projéteis atingiram pontos de Haifa, a terceira maior cidade israelense. Ao menos 5 pessoas se feriram, duas gravemente. FogueteSegundo o ministro da Saúde do Líbano, 361 pessoas já morreram desde o início do conflito. No lado israelense, o número de mortos já chega a 34, incluindo 19 militares.A contagem de 361 mortos no Líbano inclui as seis baixas do Hezbollah confirmadas pelo grupo. Segundo um general do exército israelense, no entanto, cerca de 100 guerrilheiros já morreram.Texto atualizado às 18h30

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