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Forças pró-Rússia invadem bases da Marinha ucraniana na Crimeia

Militares ucranianos não oferecem resistência à ocupação; chefe é detido e levado do local

O Estado de S. Paulo,

19 de março de 2014 | 06h53

(Atualizada às 12h15) KIEV - Um dia após o governo da Rússia formalizar a anexação da Península da Crimeia, o quartel-general da Marinha da Ucrânia em Sebastopol e uma base naval na cidade de Novoozerne foram tomados por  milicianos pró-Rússia e civis. 

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Cerca de 200 pessoas derrubaram o portão da sede militar perto do porto de Sebastopol e, em seguida, hastearam a bandeira da Federação Russa no local. Esse foi o sinal mais claro até agora de que soldados russos, e as chamadas unidades de "autodefesa" formadas na maioria por voluntários desarmados que apoiam os russos, começaram a tomar o controle de instalações militares ucranianas na península do mar Negro.

O comandante-em-chefe da marinha, o contra-almirante Sergei Gaiduk, foi detido após a tomada da base, informou a agência de notícias da Crimeia Criminform. "Gaiduk foi detido temporariamente, porque há perguntas que tem que responder", afirmou a agência, que cita a promotoria da Crimeia.

Segundo os promotores, Gaiduk "transmitiu às unidades militares da Ucrânia (na Crimeia) a ordem proveniente de Kiev de empregar armas contra a população civil". O Ministério da Defesa da Ucrânia declarou que Gaiduk foi retirado do quartel-general e não há informações de onde ele está.

Segundo Vladislav Selezniov, porta-voz do Ministério da Defesa ucraniano na Crimeia, tropas russas invadiram a outra base militar ucraniana na cidade de Novoozerne pouco depois. "Chegou um trator, que foi em direção aos oficiais ucranianos sem parar. Neste momento, soldados russos tomaram o posto de controle. Os oficiais ucranianos estão armados", disse.

Selezniov disse que, com ajuda do trator, os soldados derrubaram o portão da unidade e assumiram o posto de controle, sem avançar para o interior da base naval.

Tensão. Pouco após o incidente, o ministro interino da Defesa da Ucrânia, Ihor Tenyukh, disse em Kiev que as forças do país não vão se retirar da Crimeia apesar de o presidente russo, Vladimir Putin, ter assinado um tratado anexando a região à Rússia.

Selezniov disse que durante a noite não foram registradas ações em outras unidades militares ucranianas na Crimeia. "Em todas as partes tentam convencer nossos militares a integrarem a Frota Russa do Mar Negro ou que se mudem para a parte continental da Ucrânia", acrescentou.

A Ucrânia denunciou na terça-feira 18 que um suboficial de suas forças armadas morreu baleado por supostos soldados russos em uma base em Simferopol, incidente no qual também ficou ferido um capitão ucraniano. Um dos suspeitos pela morte do militar foi preso.

Segundo as autoridades da Crimeia, um membro das milícias russas de autodefesa morreu e outros dois foram feridos por disparos de francoatiradores perto da mesma base militar ucraniana. /  AP, EFE e REUTERS

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