Forças sírias atacam área tribal pelo segundo dia

Tanques e veículos blindados entraram na localidade de Shuhail, a sudeste de Deir al Zor

REUTERS

25 de agosto de 2011 | 10h32

AMÃ - Forças sírias atacaram na quinta-feira, 25, pelo segundo dia consecutivo uma região tribal no leste do país, disseram ativistas, como parte da repressão aos protestos pró-democracia - os quais podem levar a União Europeia a decretar sanções contra o setor petrolífero sírio.

 

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Tanques e veículos blindados entraram na localidade de Shuhail, a sudeste da capital provincial de Deir al Zor, onde há protestos diários contra o presidente Bashar al Assad nas últimas semanas.

 

"Relatos iniciais dos moradores descrevem dezenas de tanques disparando aleatoriamente ao invadirem a cidade ao amanhecer. Shuhail tem sido muito ativa nos protestos, e o regime está usando uma força arrebatadora para assustar as pessoas", disse um ativista local.

 

Desde o início do mês islâmico do Ramadã, quando os protestos se intensificaram, tanques já entraram nas cidades de Hama, palco de um massacre contra dissidentes em 1982, Deir al Zor e Lataki, no litoral.

 

A vitória dos rebeldes na guerra civil da Líbia pode estimular governos ocidentais a intensificarem sua pressão contra Assad. Diplomatas disseram na quarta-feira que a União Europeia deve proibir até o final da semana que vem a importação de petróleo sírio, mas que as novas sanções devem ser mais brandas do que recentes medidas impostas pelos Estados Unidos.

 

A Síria produz 385 mil barris de petróleo por dia, dos quais mais de um terço se destinam à Europa - especialmente Holanda, Itália, França e Espanha. Toda a produção se concentra no leste do país, inclusive nas áreas curdas do nordeste.

 

A interrupção da importação na Europa privaria a Síria de uma importante fonte de divisas, restringindo os recursos para a atual onda de repressão política, que segundo a ONU já causou 2.200 mortes.

 

Segundo a agência estatal de notícias, Assad disse a clérigos leais ao governo, na quarta-feira, que o Ocidente está pressionando a Síria a "se vender, o que não vai acontecer porque o povo sírio escolheu ter uma vontade independente".

 

Contrariando as acusações do governo, que atribui os protestos a grupos armados que tentam desestabilizar o regime, a entidade Human Rights Watch disse em um novo relatório que as mortes de civis "têm ocorrido em circunstâncias nas quais não havia ameaça às forças sírias".

 

O relatório diz que o regime matou pelo menos 49 pessoas desde que Assad informou à ONU, em 17 de agosto, que as operações militares e policiais haviam sido interrompidas. Em 22 de agosto, em Homs, os soldados "dispararam contra uma multidão de manifestantes pacíficos, logo depois de uma equipe de avaliação humanitária da ONU deixar a área, matando quatro pessoas". segundo a ONG.

 

A Liga Árabe convocou uma reunião de emergência para discutir a situação na Síria, no sábado, mas nenhum governo árabe por enquanto demonstra a intenção de impor sanções regionais a Assad.

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