Forças sírias mantêm repressão, em meio a visita de missão da ONU

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2011 | 00h00

Nem mesmo a visita de uma missão de direitos humanos da ONU ontem à Síria impediu as forças de Bashar Assad de reprimir a oposição. A ofensiva provocou críticas do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Em mais um revés para o líder sírio, o Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, deve aprovar nova resolução. A entidade elevou para 2.200 o total de mortos pelo regime de Damasco.

A missão da ONU visitouHoms, um dos bastiões da oposição. Ao chegar, segundo relatos dos funcionários da ONU e imagens divulgadas na internet, centenas de manifestantes os receberam com faixas e entoaram gritos contra Assad.

Neste momento, membros das forças de segurança e de milícias leais ao governo dispararam contra os manifestantes, matando três pessoas, segundo organizações opositoras. O governo nega envolvimento no ataque e insiste que suspendeu as ações contra os opositores em Homs e outras cidades.

Em Nova York, um porta-voz da ONU disse que a missão precisou partir por "questões de segurança". Mas ele esclareceu que os funcionários da organização não foram alvo de violência das forças do governo e tampouco dos manifestantes.

"Estou preocupado com a possibilidade de ele não ter cumprido a sua palavra e continue reprimindo a oposição", disse Ban Ki-moon. Na semana passada, Assad havia prometido encerrar as operações contra os opositores.

Em Genebra, a alta comissária para direitos humanos da ONU, Navi Pillay, afirmou que "mais de 2.200 pessoas morreram desde o início dos protestos, em março, 350 delas durante o Ramadã (mês sagrado islâmico)". O número supera em 10% a estimativa anterior. O Conselho de Direitos Humanos em Genebra elaborou o rascunho de uma resolução para investigar Assad e autoridades sírias por crimes contra a humanidade.

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