Gleb Garanich/Reuters
Gleb Garanich/Reuters

Forças ucranianas e separatistas alegam violações a cessar-fogo

Nova tentativa de trégua é vista como uma possível chance de encerrar o conflito na região, que já matou mais de 5 mil pessoas

Estadão Conteúdo

15 de fevereiro de 2015 | 09h13

Poucas horas após entrar em vigor o cessar-fogo entre as forças ucranianas e separatistas pró-Rússia, as duas partes trocaram acusações sobre violações ao acordo. Nos próximos dias, as atenções devem se voltar ao centro ferroviário de Debaltseve, onde as forças do governo ucraniano têm realizados importantes ataques aos grupos separatistas nas últimas semanas. De acordo com agências de notícias, foram ouvidas explosões próximas a Debaltseve na manhã de domingo. Já em Donetsk, a maior cidade sob controle dos separatistas, não foram reportados ataques, de acordo com a mídia local.

O chefe das forças de segurança da Ucrânia, Valentyn Nalyvaichenko, afirmou que houve uma violação ao acordo cerca de 50 minutos após a meia-noite. Segundo ele, foram disparados tiros em uma área sob controle de civis russos. Rebeldes também acusaram a Ucrânia de realizar ataques logo após o início do cessar-fogo. De acordo com a Donetsk News Agency, uma agência de notícias dos separatistas, o oficial das forças rebeldes, Eduard Basurin, teria afirmado que as forças ucranianas dispararam contra tropas rebeldes.

A trégua é vista como uma possível chance de encerrar o conflito, que matou mais de 5 mil pessoas. Mas um acordo anterior, em setembro, entrou em colapso e as dúvidas sobre a implementação do novo cessar-fogo aumentaram, uma vez que os dois lados seguiam lutando e discutindo sobre especificidades do acordo.

As horas que antecederam a trégua foram marcadas por confrontos em Debaltsev, com a tentativa das forças ucranianas de tomar o controle das linhas ferroviárias. O secretário de Estado dos EUA John Kerry telefonou a seu colega russo, Sergei Lavrov, para salientar a importância de observar o acordo e expressar preocupação sobre a escalada dos conflitos antes do início da trégua, informou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

O Departamento de Estado dos EUA afirmou que imagens do leste da Ucrânia davam "evidências confiáveis" de que o militares da Rússia teriam enviado artilharia pesada para Debaltseve. "Temos certeza de que esses são sistemas do exército russo e não dos separatistas ucranianos", afirmou a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Jen Psaki. A Rússia tem negado as alegações ocidentais que alegam que o país estaria enviando soldados e equipamentos em apoio aos rebeldes.

Em um discurso para os comandantes militares transmitido ao vivo pela televisão, o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, ordenou que suas forças parassem de atirar a partir da meia-noite, mas advertiu que os intensos combates na proximidade da trégua ameaçavam o processo de paz.

O presidente dos EUA, Barack Obama, conversou com Poroshenko neste sábado, e expressou "preocupações sobre a violência, em especial nos arredores de Debaltseve". Os dois líderes concordaram em coordenar medidas, caso o cessar-fogo seja violado, disse o porta-voz do presidente ucraniano, no Twitter.

A primeira-ministra alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, que ajudaram a negociar o acordo em uma maratona de conversas em Minsk, Bielorrússia, telefonaram ao presidente ucraniano neste sábado e prometeram apoio para garantir que o acordo seria cumprido. Os líderes alemão e francês também falaram com o presidente russo, Vladimir Putin, para reforçar a importância do acordo, informou o Kremlin. Fonte: Associated Press.

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