Forma e frequência da morte de civis sírios

Não resta a dúvida de que as forças de segurança de Bashar Assad perpetraram crimes de guerra e contra a humanidade, até com uso de armas químicas. Assad deve ser levado ao Tribunal Penal Internacional ou um tribunal especial para a Síria após o conflito. Entretanto, grande parte dessas mortes não deve ser atribuída às forças sob o seu comando.

CENÁRIO: Micah Zenko / FOREIGN POLICY, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2013 | 02h00

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, grupo de ativistas sírios que apresenta números mais confiáveis, morreram até semana passada 40.146 civis, 21.850 rebeldes, 45.469 combatentes pró-regime, 27.645 soldados do regime, 17.824 milicianos pró-governo, 171 membros do Hezbollah e 2.726 não identificados. O total seria de 110.371.

A macabra relação não corresponde à guerra civil síria à qual os legisladores americanos e os especialistas se referem quando propõem e debatem opções de intervenção militar. Não ouviremos senadores afirmar que os rebeldes sírios "massacraram" mais de 45 mil combatentes do regime sírio ou paramilitares. Quando Assad respondeu às manifestações em grande parte pacíficas de 2011 com brutalidade e prisões arbitrárias, os rebeldes sírios pegaram em armas. Seus objetivos fundamentais são a captura e o controle de territórios, de recursos e, em última instância, tirar Assad do poder, seja pela diplomacia ou pela guerra.

Os 11 relatórios publicados pela Comissão de Inquérito Internacional Independente sobre a Síria mostram seis formas de extermínio usadas pelo regime contra civis: a) Metralhadoras pesadas, tanques e artilharia - com ataques ocasionais de mísseis terra-terra - contra áreas civis; b) Ataques de franco-atiradores contra civis e o pessoal médico que tenta salvá-los; c) Morte arbitrária de civis durante incursões em larga escala da contrainsurgência em bairros residenciais com forças terrestres; d) Prisões arbitrárias em massa, feitas em bairros residenciais e em postos de controle militares, que acabam em execuções; e) Bombardeios aéreos a cidades por helicópteros de combate e caças, com uso de armas indiscriminadas, como munição de fragmentação e bombas termobáricas; f) Incursões em hospitais e instalações temporárias onde atuam médicos e o Crescente Vermelho árabe da Síria, provocando mortes arbitrárias.

Poupar vidas de civis, em contraposição às das forças do regime ou dos membros da oposição armada, exige que se conheça a maneira como os não combatentes estão sendo mortos. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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