Formação de tropa antiterror custou US$ 3,5 bi ao país

O governo da Turquia investiu US$ 3,5 bilhões na modernização de suas forças especiais antiterrorismo, lideradas pelos Boinas Marrons. A tropa cresceu, reúne hoje cerca de 5 mil combatentes e um número não revelado de agentes de inteligência apoiados por recursos de alta tecnologia. 

Roberto Godoy, O Estado de S. Paulo

28 Junho 2016 | 21h10

Não funcionou. Qualquer que tenha sido o movimento responsável pelos tiros, explosões e mortes no terminal aéreo Artatuk – e os mais cotados são os suspeitos de sempre, o PKK local ou o multinacional Estado Islâmico --, ficou fora da malha de detecção. 

Há duas semanas os oficiais turcos na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) apresentaram em Bruxelas um seminário para explicar os métodos de controle da movimentação de suspeitos de ligação com movimentos do terror adotados por Ankara, considerados inovadores e eficientes. 

A estrutura de defesa turca é poderosa, muito moderna. As três forças somam perto de 515 mil homens e mulheres, mais 400 mil reservistas de convocação rápida. A sofisticação tecnológica é grande – os generais turcos tem um satélite privativo. O Gokturk-2 atua 70% do tempo no modo de sensoriamento eletrônico, ou seja, trabalha como espião digital. Desta vez, não viu nem ouviu nada. 

O comandante  dos Boinas Marrons, general Zekai Aksakalli, reorganizou a unidade até o tamanho de uma brigada e alterou o ciclo de treinamento que era mantido com poucas modificações desde 1952, quando o grupo foi criado. O contingente é fundamentalmente focado nas ações táticas, de campo. 

Todos os militares são voluntários, passam por testes físicos, psicológicos e devem dominar com fluência um segundo idioma. Depois desses exames, tem de encarar de 120 a 260 semanas de treinamento intenso para adquirir qualificação em tiro luta com facas, demolição, salto de paraquedas, mergulho, busca e resgate de reféns, reconhecimento de área, medidas antiterrorismo, extração de lideranças inimigas e destruição de infraestrutura. 

Entre as provas de resistência, percursos de até 100 km em trilha com 40 quilos de equipamento. O arsenal abrange instrução com 4 diferentes tipos de pistolas, 8 fuzís de assalto, 3 metralhadoras e 7 fuzís de precisão, além do uso de explosivos e de granadas diversas. 

O processo faz dos Bordos Bereliler, a denominação turca do time, notáveis guerreiros. Pouco úteis todavia, quando a tarefa é preventiva e exige analistas.

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