Fortalecida pelo petróleo, Rússia quer recuperar status de superpotência

No momento em que uma nova Rússia, autoconfiante e rica em petróleo, realiza manobras militares conjuntas com a China e ex-repúblicas soviéticas, Moscou vem mostrando que quer recuperar o antigo status da União Soviética como potência militar global. No início deste ano, o presidente russo, Vladimir Putin, aprovou um plano de rearmamento com duração de sete anos e no valor de US$ 200 bilhões que permitirá a compra de novas gerações de mísseis, aviões e, talvez, porta-aviões para reconstruir o arsenal russo. A nova posição militar já pôde ser vista com o envio de bombardeiros russos para patrulhas nos Oceanos Atlântico e Pacífico, obrigando caças americanos a decolar para interceptá-los pela primeira vez desde o fim da Guerra Fria. "A diplomacia entre a Rússia e o Ocidente está sendo substituída cada vez mais por atos militares", diz Sergei Strokan, especialista em política externa que trabalha para jornal Kommersant. "É evidente que o Kremlin está cada vez mais ouvindo os generais e dando-lhes o que querem."Ontem, Putin reuniu-se com o presidente chinês, Hu Jintao, e líderes dos outros países que integram a Organização de Cooperação de Xangai (OCX) na região russa de Chelyabinsk, para acompanhar a etapa final das mais ambiciosas manobras militares conjuntas até hoje, que envolveram 6 mil soldados e mais de 100 aviões. Numa conferência de cúpula da OCX no Quirguistão na quinta-feira, Putin ressaltou que a Rússia não quer construir uma "bloco militar" no estilo daquele da Guerra Fria. Segundo ele, a OCX deve ampliar seu objetivo original de ser uma associação econômica, para assumir um papel militar maior.O crescente militarismo de Moscou - e a apreensão dos outros países em relação a isso - ficou evidente numa série de incidentes recentes. Na semana passada, a ex-república soviética da Geórgia acusou aviões russos de terem invadido seu espaço aéreo e disparado um míssil - que não explodiu - contra uma estação de rádio. Autoridades russas negaram a acusação. O almirante russo Vladimir Masorin afirmou neste mês que a Rússia quer reabrir uma base naval em Tartus, na Síria, da qual navios de guerra soviéticos costumavam vigiar embarcações dos EUA. "O Mediterrâneo é um importante teatro de operações para a frota russa no Mar Negro", disse ele. Em julho, em meio à deterioração das relações entre a Rússia e a Grã-Bretanha, por causa da morte por envenenamento do ex-espião russo Alexander Litvinenko, dois bombardeiros russos invadiram território da Otan pela primeira vez desde o fim da Guerra Fria, entrando em espaço aéreo escocês. Segundo o Ministério da Defesa britânico, caças britânicos escoltaram os aviões russos para fora da região.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.