Fortalecido, Clegg obtém vantagem em negociações

Pressão exercida por líder liberal contribui para afastamento de Brown e faz com que Cameron considere plebiscito

PARIS, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2010 | 00h00

Em 27 de abril, depois de se recusar a negociar um governo de coalizão com o Partido Trabalhista, o líder do Partido Liberal, Nick Clegg, voltou atrás em entrevista à rede de TV BBC e anunciou sua disposição ao diálogo. "Eu poderia trabalhar com os trabalhistas", afirmou então, estipulando uma única condição: "Não com Gordon Brown." Menos de três semanas depois, a cabeça do primeiro-ministro lhe foi entregue como única forma de evitar a ascensão do conservador David Cameron ao poder.

As circunstâncias da demissão de Brown são só mais uma prova da posição de força que Clegg ganhou durante a campanha eleitoral. Graças a seu discurso de "alternativa política", o Parlamento acabou dividido em três forças. Mesmo com uma pequena bancada eleita - 57 deputados -, foi em razão de sua disposição de negociar com Cameron que Brown teve de ceder a prioridade na formação de um governo, que lhe era garantida pelas leis britânicas.

Brown anunciou sua demissão. Imediatamente, foi atendida a condição para a abertura de negociações entre liberais e trabalhistas. "Brown tomou uma difícil decisão pessoal em favor do interesse nacional", afirmou Clegg, em tom elogioso, minutos após a renúncia. A seguir, foi claro sobre o simbolismo do ato: "Creio que a decisão de Brown foi um importante elemento que pode ajudar a assegurar a transição suave para um governo estável que todos merecem."

Não bastasse obter a cabeça do premiê, Clegg conseguiu arrancar a promessa de que Cameron, se chegar ao poder, convocará um plebiscito sobre a reforma do sistema eleitoral, uma reivindicação dos liberais rejeitada até então pelos conservadores. Para Charlie Beckett, diretor do Polis Media, organismo ligado à London School of Economics, a imprensa começou a tratar Clegg como uma espécie de "vice-primeiro-ministro", um político que ganha mais atenção do que a própria oposição. / A.N.

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